- Temporais na Zona da Mata, Minas Gerais, deixaram desabrigadas cerca de 3 mil pessoas, 400 desalojadas e pelo menos 62 mortos, com impactos em Juiz de Fora e Ubá.
- Especialistas ouvidos pela Agência Brasil associam as chuvas extremas a falhas em políticas públicas de meio ambiente e a mudanças climáticas, defendendo atuação mais efetiva em planejamento urbano.
- Juiz de Fora concentra a maioria das vítimas e possui áreas de risco ocupadas por população de baixa renda; especialistas ressaltam necessidade de ordenamento urbano e controle do uso do solo.
- O aquecimento do Oceano Atlântico aumenta a umidade no ar, contribuindo para eventos climáticos extremos; defesa civil e autoridades apontam para evacuações mais rápidas e planejamento de contingência.
- Soluções sugeridas incluem intervenções de engenharia, como pôlderes e parques públicos para várzeas, e ações de macrodrenagem em Juiz de Fora; recursos federais previstos incluem 30,1 milhões para encostas, com liberação de apenas 1,2 milhão, além de 356 milhões para drenagem urbana.
Os temporais que atingiram a Zona da Mata mineira deixaram pelo menos 3 mil desabrigados, 400 desalojados e 62 mortes. Juiz de Fora e Ubá concentram os impactos, com enchentes, deslizamentos e rios acima do normal. Especialistas citam falhas em políticas climáticas.
Eles destacam que extremos climáticos refletem mudanças no clima global e a necessidade de políticas públicas ambientais. A negligência de governos locais e federais é apontada como parte do problema, porém soluções dependem de planejamento urbano.
Para o pesquisador, o ordenamento urbano é essencial para reduzir vulnerabilidade. O argumento é de que áreas de maior risco correspondem a áreas de menor valor econômico, onde comunidades de renda mais baixa convivem com maior perigo.
Riscos climáticos vs. planejamento urbano
A topografia de Juiz de Fora, em vale montanhoso, aumenta o risco de deslizamentos e alagamentos. O Cemaden ressalta que a cidade recebe umidade vinda do Atlântico aquecido, elevando a chance de chuvas intensas.
O aquecimento do oceano é citado como fator que intensifica a umidade no ar. A área costeira mais quente gera chuvas mais fortes ao encontrar as serras da região, contribuindo para os desastres.
Especialistas alertam que ações de mitigação costumam faltar por recursos. Entre 2023 e 2025, Minas Gerais registrou cortes de verbas voltadas ao enfrentamento de chuvas, segundo analistas ouvidos pelo veículo.
Medidas e investimentos
O estudo de engenharia urbana aponta soluções como pôlders para isolar áreas alagáveis e reduzir danos durante eventos extremos. A técnica exige manutenção constante, com uso complementar de bombas para retirar água.
Outra alternativa é investir em parques públicos e em solos mais permeáveis, para aumentar a capacidade de infiltração da água sobre áreas próximas a rios. Técnicas de drenagem são citadas como eficazes a longo prazo.
A prefeitura de Juiz de Fora tem propostas de intervenções em bairros específicos, como parte do projeto Juiz de Fora + 100. O governo federal aprovou repasse de 30,1 milhões para contenção de encostas entre 2024 e 2025, com liberação integral ainda em análise.
Para drenagem urbana, o programa prevê 356 milhões de reais em futuro orçamento. As ações visam reduzir impactos de cheias e deslizamentos na região, complementando intervenções já em estudo.
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