- Ivair Gontijo, brasileiro, integra o Jet Propulsion Laboratory da Nasa e participou de missões para Marte, como Curiosity e Perseverance.
- O engenheiro cresceu em Moema, Minas Gerais, estudou na UFMG e teve formação na Universidade de Glasgow, com dois pós-doutorados nos Estados Unidos.
- Ele é um dos participantes do São Paulo Innovation Week, festival da imprensa Estadão em maio, com expectativa de cerca de noventa mil visitantes.
- Em entrevista, destacou parcerias público-privadas da Nasa e colaborações internacionais para reduzir custos e ampliar qualidade técnica em lançamentos e missões.
- Gontijo afirma que São Paulo é a “Califórnia brasileira” da inovação, citando exemplos locais como LIBS em São Carlos e espectroscopia Raman na USP para resolver desafios nacionais.
Ivair Gontijo, brasileiro ligado ao Jet Propulsion Laboratory (JPL) da Nasa, participa do São Paulo Innovation Week (SPIW), evento que o Estadão promoverá em maio. O projeto destaca a relação entre São Paulo e inovação tecnológica, conectando a experiência norte-americana com o ecossistema local.
Nascido em Moema, Minas Gerais, Gontijo iniciou a vida profissional em agropecuária antes de estudar Engenharia Física na UFMG. Fez doutorado na Glasgow e dois pós-doutorados, um deles na Califórnia. Hoje, ele integra a equipe responsável por sondas enviadas a Marte, como Curiosity e Perseverance, no JPL.
O SPIW terá formato semelhante à Rio Innovation Week e ocupará a Mercado Livre Arena Pacaembu e a FAAP, em São Paulo. O evento reúne palestras de nomes nacionais e internacionais, debates e espaços de troca de conhecimento. Espera receber cerca de 90 mil visitas.
Em entrevista ao Estadão, Gontijo ressaltou o papel de parcerias público-privadas na NASA, com foco em reduzir custos e ampliar o conhecimento técnico. Ele mencionou que muitas missões são terceirizadas a empresas, fortalecendo a cooperação internacional.
O papel de parcerias e risco na inovação
O engenheiro explicou que missões de Marte costumam exigir financiamento de longo prazo, com intervalos de lançamento restritos a cada 26 meses. Segundo ele, ações de risco são parte integrante da pesquisa, vistas como motor de progresso.
A participação de empresas como SpaceX e Blue Origin é citada como positiva para acelerar o desenvolvimento tecnológico, desde que haja cooperação com a NASA, mantendo o foco em geração de empregos e avanços científicos.
Gontijo também comentou que falhas passadas, como duas missões frustradas em 1999, geraram lições que elevaram a robustez de projetos subsequentes, incluindo o radar de pouso do Curiosity.
Potencial do Brasil e de SP para a inovação
O cientista afirmou que o Brasil tem muito a oferecer em ciência e engenharia, com Embrapa e Embraer como exemplos de relevância global. Mesmo assim, é necessário maior constância de investimento para transformar conhecimento em produtos.
Sobre São Paulo, ele descreveu a cidade como a Califórnia brasileira da inovação, citando parcerias em cidades como São José dos Campos, São Carlos e Campinas. Técnicas usadas em Marte já geram aplicações locais.
Entre as inovações destacadas, o pesquisador citou usos de LIBS para análise de solo no agronegócio e espectroscopia Raman aplicada a café. Tais projetos demonstram o elo entre pesquisa acadêmica e solução de problemas brasileiros.
Gontijo encerrou destacando a necessidade de continuar envolvendo a população na ciência, para ampliar o interesse de jovens por áreas técnicas e manter o Brasil competitivo no cenário global.
Entre na conversa da comunidade