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Tatiana Sampaio, pesquisadora da Polilaminina, discute reconhecimento

Testes preliminares com polilaminina demonstram recuperação de movimentos em pacientes paralisados; Anvisa autoriza estudo clínico para avaliar segurança

Tatiana Sampaio é um dos destaques da lista Forbes Mulheres Mais Poderosas do Brasil de 2026
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  • Tatiana Sampaio, pesquisadora da UFRJ, desenvolveu a polilaminina, uma rede de laminina que pode ajudar na recuperação de movimentos após lesões na medula.
  • Em testes preliminares com humanos divulgados em setembro, seis dos oito pacientes paraplégicos e tetraplégicos recuperaram parte dos movimentos, e um deles voltou a andar.
  • A produção da molécula é realizada em parceria com o laboratório Cristália, com investimento de cerca de R$ 100 milhões desde 2021.
  • Em janeiro, a Anvisa autorizou o início de estudo clínico oficial para avaliar a segurança da polilaminina em humanos, com perspectiva de disponibilidade do medicamento em até cinco anos, se aprovados os três estágios de testes.
  • Antes dos ensaios em pessoas, houve etapas em células, roedores e cães, com sinais de melhoria em animais que passaram por fisioterapia e avaliação de segurança.

Tatiana Sampaio, pesquisadora da UFRJ, ganhou destaque nacional após divulgar resultados de testes preliminares da polilaminina em humanos. A substância, criada pela cientista, mostra potencial para reverter lesões na medula e devolver movimentos a pacientes paraplégicos. A entrevista aconteceu com a Forbes Brasil, consolidando a fama da pesquisadora.

O estudo começou de forma acadêmica em 1998, após décadas de pesquisa em laminina. A coordenadora do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular da UFRJ relatou que a ideia veio ao observar como as “pérolas” da laminina se reorganizaram, sugerindo possibilidade terapêutica. A produção envolve a Cristália, parceira desde 2021, com investimento estimado em 100 milhões de reais.

Nos testes com animais, houve sinais de melhoria após aplicação da polilaminina, principalmente em cães, com avanço observado entre dois e seis meses. Em humanos, no teste preliminar divulgado em setembro, seis de oito pacientes recuperaram parte dos movimentos e um chegou a andar. Cinco meses após a aplicação, houve retorno de uso parcial da cadeira de rodas.

Anvisa autorizou, em janeiro, o início de um estudo clínico oficial para avaliar segurança da polilaminina em humanos. Se as três fases forem bem-sucedidas, o medicamento poderia chegar ao mercado em até cinco anos. Tatiana continua atuando como professora na UFRJ, mantendo a rotina acadêmica e a vida no bairro de Laranjeiras.

Contexto da pesquisa e impactos futuros

A pesquisadora explicou que a polilaminina é baseada na laminina natural, com o objetivo de reorganizar malhas proteicas que guiam os axônios durante o desenvolvimento. A ideia é criar um ambiente que permita o crescimento nervoso na região lesionada, de forma induzida artificialmente.

A trilha de trabalho envolveu células isoladas, testes em ratos e, posteriormente, cães, para avaliar segurança e eficácia. Os resultados em animais indicaram melhora gradual, com definição de critérios de avaliação ao longo de meses de acompanhamento.

A experiência acadêmica diante de uma necessidade de patrocínio foi um marco. O estudo clínico foi conduzido sem apoio de grandes indústrias, até que um acordo com a Cristália permitiu avanços clínicos e a viabilidade de produção em escala. O caminho, segundo Tatiana, foi longo e movido por dedicação.

Perspectivas e impactos pessoais

Tatiana relata mudanças na vida pessoal e profissional desde a visibilidade alcançada. A frequência de reconhecimento público aumentou, e a pesquisadora afirma sentir uma responsabilidade maior diante das expectativas geradas. Mesmo com a fama, mantém o foco na prática diária da ciência e no ensino.

Para a comunidade acadêmica, a pesquisadora destaca a importância de manter o equilíbrio entre ensino e pesquisa clínica. Ela ressalta que a reabilitação de pacientes envolve fatores como qualidade de fisioterapia e acesso a tratamentos, o que pode influenciar os resultados.

A entrevista também abordou a trajetória familiar que moldou a abordagem científica de Tatiana. Ela cita influências de familiares cientistas e um pai filósofo, que incentivaram uma visão pragmática e conectada à realidade.

Fonte: reportagem original publicada na Forbes, edição 138, fevereiro de 2026.

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