- Pesquisadores apontam que o óxido nitroso (N₂O), produzido a partir do uso de fertilizantes, pode afetar comunidades microbianas no solo, prejudicando some micróbios que ajudam o crescimento das plantas.
- Em estudos de laboratório, utilizaram a bactéria Pseudomonas aeruginosa para mostrar que a sensibilidade ao N₂O depende de vias de biossíntese de metionina com ou sem vitamina B12, tornando o microrganismo suscetível ao gás.
- Em uma comunidade microbiana sintética de Arabidopsis thaliana, parte das bactérias do sistema radicular mostrou sensibilidade ao N₂O, e a combinação com bactérias produtoras do gás reduziu o crescimento dessas micro-organismos.
- Os pesquisadores estimam que aproximadamente trinta por cento das bactérias com genomas sequenciados podem ser sensíveis ao N₂O, sugerindo um papel relevante — ainda pouco conhecido — na ecologia do solo e na saúde das plantas.
- Os resultados são iniciais e derivados de laboratório; se comprovados em Campo, podem influenciar práticas agrícolas, como irrigação e fertilização, para gerenciar picos de N₂O e apoiar a saúde das plantas.
Nitrous oxide, produzido pelo uso de fertilizantes, pode afetar bactérias do solo. Pesquisadores do MIT mostraram que o N2O pode influenciar comunidades microbianas ao redor das raízes, mudando quais linhagens crescem mais.
O estudo avaliou como o N2O reage com micróbios que ajudam as plantas a adquirir nutrientes e a se proteger de patógenos. A pesquisa indica que cerca de 30% das bactérias com genomas sequenciados podem sofrer toxicidade pelo gás.
Autores do trabalho, Darcy McRose e Philip Wasson, publicaram as descobertas na revista mBio. A pesquisa parte de experimentos em laboratório para entender possíveis impactos práticos na agricultura.
Em cenários agrícolas, picos de N2O ocorrem com fertilização, chuva e degelo. Os autores ressaltam que os experimentos de laboratório são apenas o primeiro passo para entender efeitos no solo e no microbioma da rizosfera.
Do laboratório à fazenda
Em *Pseudomonas aeruginosa*, a remoção de uma enzima dependente de B12 deixou a bactéria sensível ao N2O, prejudicando seu crescimento. Em comunidades sintéticas de Arabidopsis thaliana, vários micróbios da raiz também mostraram sensibilidade ao gás.
Quando micróbios sensíveis convivem com bactérias produtoras de N2O, o crescimento de ambos pode ser prejudicado. Os resultados sugerem que microrganismos que produzem N2O influenciam seus vizinhos na rizosfera.
Os pesquisadores afirmam que a produção de N2O pode moldar as comunidades microbianas do solo, o que, se confirmado em campo, pode orientar práticas de manejo, como a temporização de irrigação e fertilização para proteger o equilíbrio microbiano.
Com a continuidade dos estudos, a equipe pretende buscar sinais de exposição ao N2O por meio de sequenciamento genômico e investigar se certas bactérias resistem ao gás, influenciando decisões agrícolas.
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