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Chuva chega à Antártida, prometendo mudanças na face do continente

Chuva avança na Península Antártica, acelera derretimento de gelo e mudanças de habitat, atingindo pinguins e infraestrutura humana

Quatro pinguins estão sobre um bloco de gelo flutuante em águas calmas, com montanhas cobertas de neve ao fundo sob céu claro.
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  • A chuva começa a ocorrer com mais frequência na Península Antártica, região mais aquecida do continente.
  • Em cenários de emissões altas, médias e baixas, a precipitação tende a aumentar e a forma de chuva deve predominar, em vez de neve.
  • A chuva derrite neve, lubrifica a base dos glaciares e aumenta o desprendimento de icebergs, além de formar lagoas em plataformas de gelo.
  • O ecossistema fica sob pressão: afeta habitats de pinguins, algas da neve e krill, com mudanças na dominância de espécies na região.
  • Infraestrutura e patrimônios históricos correm riscos: pistas de pouso, bases de pesquisa e cabanas podem sofrer com o degelo e o mau tempo, podendo exigir adaptações.

A chuva, antes rara na Antártida, começa a ocorrer com mais frequência na Península Antártica, região continental ao norte que se projeta em direção à América do Sul. Cientistas em campo descrevem jaquetas, olhos protegidos e solo que não congela com facilidade, sinal de mudanças no tempo.

O recorte climático tem acelerado o aquecimento local, deixando a península mais sensível que o restante do continente e, até mesmo, mais que a média global. Estudo recente analisou três cenários de emissões — altas, médias e baixas — e indicou aumento de precipitação na forma de chuva conforme a península aquece.

Quando calor e chuva chegam juntos

O clima extremo já provoca perturbações. Em fevereiro de 2020 houve recorde de temperaturas acima de 18°C no norte da península, com derretimento acelerado da plataforma de gelo ao lado. Rios atmosféricos passaram a desempenhar papel relevante, causando derretimento superficial e chuvas no auge do inverno.

Esses eventos, com maior frequência, elevam a probabilidade de derretimento do gelo de plataformas flutuantes, compactação da neve e formação de lagoas que aceleram o aquecimento local. A água derretida pode infiltrar e enfraquecer o gelo, aumentando o desprendimento de icebergs.

O que a chuva faz com a neve e o gelo

A chuva aquece a superfície, derretendo a neve que cobre os glaciares. A água resultante pode lubrificar a base, acelerando o deslizamento e a perda de massa. Em plataformas flutuantes, poças de água reduzem o albedo, aumentando o aquecimento e o risco de rupturas.

No gelo marinho, a menor cobertura de neve reduz a refletividade e acelera o derretimento. A instabilidade também impacta habitats de algas, krill e outros organismos, além de afetar áreas de reprodução de pinguins. Espécies dependentes do gelo podem recuar ou migrar.

Ecossistemas sob pressão

A chuva pode inundar áreas de nidificação de pinguins, cuja pelagem não é totalmente impermeável. O resultado pode ser hipotermia e mortalidade de filhotes. Com o aquecimento oceânico, queda do gelo marinho e redução do krill, pinguins enfrentam maior risco de deslocamento.

Pinguins-gentoo passam a ocupar áreas mais ao sul, enquanto espécies dependentes do gelo, como pinguins-de-adélia e de barbicha, ficam mais vulneráveis. A algas da neve, alimento básico de micróbios e invertebrados, pode perder habitat e escurecer com menos neve, acelerando o derretimento.

Desafios para os cientistas

A infraestrutura de pesquisa, desenhada para neve, enfrenta nova realidade com chuvas contínuas. Pistas de pouso podem contaminar com gelo, tendas e equipamentos sofrem desgaste, e roupas precisam de adaptação para um clima mais úmido.

A mudança também pode exigir mudanças logísticas, incluindo possíveis transferências de locais de estudo. Em Mars Oasis, na ilha Alexander, o degelo superficial já interrompe o acesso a um campo ecológico de longa data, gerando lacunas nos registros.

Patrimônio em risco

A Antártida abriga 92 locais históricos. Cabanas, lojas de equipamentos e instalações antigas, concentradas na península, sofrem com permafrost instável e chuvas intensas, aumentando a necessidade de manutenção num território de logística desafiadora.

Se o aquecimento avançar para 2°C ou 3°C neste século, mudanças climáticas intensificam o clima extremo, o derretimento superficial e impactos sobre ecossistemas, infraestrutura, geleiras e patrimônio histórico. A chuva, antes rara, passa a remodelar a Península Antártica.

Fonte: The Conversation.

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