- Pesquisadores propõem que os olhos dos vertebrados teriam surgido a partir de um ancestral invertebrado com apenas um olho no topo da cabeça, há cerca de 560 milhões de anos.
- Esse olho único teria resultado da fusão de dois olhos anteriores, em um início ligado a um estilo de vida mais sedentário dos ancestrais.
- Ao longo de milhões de anos, surgiram estruturas oculares mais complexas, permitindo visão de imagens em espécies modernas de vertebrados.
- Estimativas antigas indicavam que evoluir um olho capaz de formar imagens levaria cerca de 364 mil anos, sugerindo que o tempo não seria um impedimento para esse processo.
- Pesquisas recentes indicam que fósseis com olhos de vertebrados têm mais de 500 milhões de anos; há indícios de que alguns carnêmeros antigos teriam dois pares de olhos.
Em 1859, Darwin questionou como um órgão tão complexo como o olho poderia surgir por evolução natural. Em A Origem das Espécies, ele descreveu a perplexidade diante da capacidade dos olhos de focar, distinguir distâncias e lidar com a luminosidade.
O debate ganhou fôlego ao longo dos anos, com críticos criacionistas sugerindo que estágios intermediários seriam inviáveis. Pesquisadores modernos contestam essa leitura, buscando explicar a origem do olho a partir de ancestrais simples.
Nova hipótese surge a partir de um ancestral comum
Uma equipe publica na Current Biology uma proposta que coloca a origem ocular em dois corações: um ancestral comum, há cerca de 560 milhões de anos, de vertebrados e invertebrados. Esse ponto de partida seria uma criatura invertebrada com um único olho no topo da cabeça.
Segundo o estudo, o olho atual teria emergido pela fusão de dois olhos de antecessores, que viviam enterrados no fundo do oceano filtrando o plâncton. Com o tempo, esses olhos menores teriam evoluído para estruturas mais complexas, favorecendo a movimentação na água.
A pesquisa baseia-se na comparação de células fotossensíveis em diferentes grupos e na posição dessas células no corpo. A hipótese sugere que a retina de vertebrados deriva de tecidos cerebrais, enquanto olhos de invertebrados teriam origem na pele da cabeça.
Progresso e limites da hipótese
O estudo de 2024 retoma uma linha iniciada em 1994, quando Nilsson e Pelger discutiram tempos de evolução ocular. Eles mostraram que a formação de imagens poderia ocorrer em menos de 400 mil anos, mesmo com dados iniciais limitados.
Ainda assim, os autores reconhecem limitações: a evolução de proteínas visuais não foi considerada plenamente, e fósseis com olhos mais antigos ainda trazem dúvidas sobre o caminho exato da visão.
Pesquisas recentes também destacam fósseis de vertebrados com olhos, datados em 518 milhões de anos, sugerindo que alguns ancestrais podem ter tido dois pares de olhos, contradizendo a ideia de um único olho vestigial.
Entre na conversa da comunidade