- Estudo conduzido pela USP mostrou que autocoleta de urina e de material vaginal para detecção do HPV é viável, confiável e com desempenho semelhante à coleta cervical feita por profissionais.
- O estudo envolveu cem mulheres com mais de vinte e um anos, que passaram por três coletas (urina, vaginal pela própria participante e cervical pelo médico); todas assistiram a um vídeo educativo e responderam a um questionário prévio.
- As amostras foram analisadas para HPV de alto risco, e houve concordância muito alta entre autocoleta e coleta tradicional, inclusive para o HPV16.
- A autocoleta pode ampliar o acesso ao rastreamento, especialmente para quem tem medo, dificuldade de acesso, pouco tempo ou questões culturais e religiosas; já é utilizada em Holanda, Austrália, Suécia e Dinamarca.
- Não há previsão de quando a autocoleta estará disponível no Brasil; a iniciativa faz parte de esforços globais, liderados pela OMS, para erradicar o câncer de colo de útero até 2030 com alta cobertura vacinal, diagnóstico e tratamento.
A possibilidade de coletar amostras em casa para detectar HPV pode ampliar a prevenção do câncer de colo do útero. Estudo liderado por pesquisadores da USP comparou autocoleta de urina e material vaginal com a coleta cervical feita por médicos, revelando desempenho semelhante.
A pesquisa envolveu 100 mulheres com mais de 21 anos, encaminhadas para colposcopia. Participantes realizaram três coletas distintas: urina, material vaginal e a coleta cervical tradicional. Todas receberam orientação prévia por vídeo educativo.
As amostras foram analisadas para HPV de alto risco. Os resultados indicaram concordância muito alta entre autocoleta (urinária e vaginal) e a coleta clínica, inclusive para o HPV16, tipo fortemente ligado ao câncer.
Autocoleta como estratégia de acesso
Segundo a pesquisadora Lara Termini, a autocoleta pode tornar o rastreamento mais inclusivo, permitindo que pessoas com útero façam o exame sem depender do consultório. Medidas de desinformação, tempo e barreiras de acesso pesam na adesão.
A autocoleta vaginal já é adotada por programas nacionais em países como Holanda, Austrália, Suécia e Dinamarca, com impacto positivo na cobertura. Não há previsão de implementação no Brasil até o momento.
Médico Renato Moretti ressalta que iniciativas como essa são relevantes para objetivos da OMS de reduzir o câncer de colo do útero até 2030, desde que haja alta cobertura vacinal, diagnóstico e tratamento.
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