- Estudo sugere que mosquitos do gênero Anopheles já picavam Homo erectus há quase dois milhões de anos, no Sudeste Asiático.
- A hipótese conecta a antropofilia de alguns mosquitos à expansão dos hominínios na região, há cerca de 1,8 milhão de anos.
- A pesquisa analisou o genoma de mosquitos de treze espécies do grupo Anopheles leucosphyrus, incluindo espécies com e sem predileção por sangue humano.
- A região estudada vai do nordeste da Índia às ilhas de Sumatra, Java e Bornéu, passando por Tailândia e Vietnã, onde existem cerca de vinte espécies associadas ao grupo.
- Os resultados foram alcançados por meio da comparação genômica entre as espécies, permitindo estimar Divergências evolutivas e a história de parentesco dentro do grupo.
Mosquitos transmissores da malária já picavam Homo erectus há quase 2 milhões de anos, aponta estudo que analisa o genoma de Anopheles na região do Sudeste Asiático. A hipótese sustenta que a antropofilia dos mosquitos pode ter se estabelecido antes da expansão de Homo sapiens.
A pesquisa, publicada no dia 26 em Scientific Reports, reúne dados de genomas de 13 espécies do gênero Anopheles. Os autores tentam entender como as majoras linhagens se diferenciaram ao longo do tempo e como isso se relaciona à transmissão da malária.
O estudo detecta, na região, o grupo Anopheles leucosphyrus, com cerca de 20 espécies associadas. Embora apresentem semelhanças, elas exibem comportamentos distintos na alimentação, variando entre predileção por humanos, primatas não humanos ou dietas diversas.
Contexto evolutivo e perguntas da pesquisa
Algumas espécies, como An. dirus e An. balabacensis, destacam-se pela forte capacidade de transmitir a malária a humanos. Outras priorizam presas de primatas, muitas vezes no dossel das florestas. Há ainda exemplares menos exigentes quanto à dieta.
A hipótese central sugere que a antropofilia pode ter surgido com a expansão global de Homo sapiens a partir de África, cerca de 70 mil anos atrás. No entanto, a possibilidade de origem ainda mais antiga, associada a Homo erectus, não é descartada.
O objetivo é reconstruir a evolução do grupo e cruzar com os períodos de expansão de hominídeos na região. Como DNA de parasitas é improvável de ser recuperado de fósseis antigos, a equipe recorreu à inferência genética dos mosquitos.
Metodologia e resultados preliminares
Sob a liderança de Upasana Shyamsunder Singh e Catherine Walton, da University of Manchester, a pesquisa compara genomas de 13 espécies. O método permite inferir relações de parentesco e estimar épocas de divergência entre populações.
Os pesquisadores destacam que o trabalho, ainda em fase de interpretação, pode oferecer pistas sobre como a malária se disseminou ao longo de milênios. Os resultados ajudam a entender a distribuição regional atual das espécies no Sudeste Asiático.
Entre na conversa da comunidade