- Pesquisadores espanhóis conduziram experimentos com chimpanzés no Centro de Resgate de Primatas Rainfer, perto de Madri, para entender o fascínio por cristais de quartzo.
- No experimento chamado “O monolito”, os animais (Yvan e Sandy) preferiram o quartzo a uma pedra comum, mantendo os objetos por dias e só devolveram após oferecerem bananas e iogurte como recompensa.
- Em uma segunda etapa, os chimpanzés conseguiram localizar rapidamente pequenos cristais entre outras pedrinhas, demonstrando curiosidade consistente pelo brilho e pela forma.
- O estudo, publicado em Frontiers in Psychology, sugere que a atração por cristais pode ter raízes evolutivas profundas, não se limitando aos humanos.
- Especialistas ressaltam cautela ao extrapolar os resultados para explicar o comportamento dos antepassados humanos, destacando que a motivação específica ainda não está clara.
Os chimpanzés demonstraram interesse por cristais de quartzo, em um estudo publicado no Frontiers in Psychology. Pesquisadores espanhóis exibiram quartzo a dois grupos de chimpanzés em centros de resgate perto de Madri, para entender se o fascínio humano por minerais tem raízes evolutivas. O experimento mostrou que os animais manipularam, observaram e valorizaram os objetos brilhantes.
Os chimpanzés reagiram de maneira semelhante à dos humanos: seguraram, inspecionaram e não deixaram os cristais de lado com facilidade. Em um dos testes, o animal Yvan, de cerca de 50 anos, manteve o cristal na mão durante atividades do dia a dia, incluindo alimentação. Em outra etapa, a macaquinha Sandy roubou o quartzo e não devolveu, revelando apego ao objeto.
O estudo envolveu dois experimentos distintos. No primeiro, foram apresentados dois objetos de tamanho equivalente: um cristal de quartzo transparente e uma pedra comum. Os primatas inicialmente passaram a observar ambos, mas passaram a dar prioridade ao quartzo com o tempo. Em várias cenas, os chimpanzés erguiam e examinavam os cristais sob a luz solar.
Ao longo do processo, os animais resistiram à devolução dos cristais, recorrendo a negociações que incluíram troca por recompensas, como bananas e iogurte. Esse comportamento é interpretado pelos autores como sinal de valor atribuído aos cristais, além de curiosidade. Em seguida, a segunda fase mostrou que eles localizavam rapidamente pequenos cristais entre pedrinhas, demonstrando reconhecimento de objetos brilhantes.
Paralelamente, pesquisadores observaram que a transparência e o formato facetado dos cristais chamavam mais a atenção. Os autores destacam que a atração pode ter, ao menos em parte, uma base evolutiva, ainda que as motivações específicas permaneçam incertas. O estudo conta com a liderança de Juan Manuel García-Ruiz, cristalógrafo, e envolve observações detalhadas do comportamento dos chimpanzés.
A pesquisa divide opiniões entre especialistas. Enquanto alguns veem indícios de raízes profundas no comportamento, outros ressaltam que não é possível generalizar para antigos hominídeos, pois motivação e contexto podem divergir. O debate continua entre cientistas da área de psicologia comparada, arqueologia e ciência dos materiais.
O levantamento também enfatiza que o registro arqueológico humano aponta para coleções de cristais desde cerca de 780 mil anos atrás, sem uso evidente como ferramenta ou joia. Os autores argumentam que a atração por brilhos pode estar relacionada a propriedades sensoriais básicas, presentes já em nossos ancestrais.
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