- Georges Truc, nascido em 1942, é reconhecido como geólogo do vinho que mapeia o terroir do sul do Rhône e trabalha com diversas appellations e produtores da região.
- Ele se descreve como “oeno-geólogo”, enfatizando a relação entre solo, rochas e vinhos, com foco em Grenache como vetor principal para entender o terroir do sul do Rhône.
- O sul do Rhône é visto por ele como um “mosaico” de tipos de solo; diferentes solos afetam o sabor e a textura das vinhas, especialmente quando comparados Grenache em diferentes solos (calcário, galets roulés, areia).
- Segundo Truc, o paladar (tocar) é essencial para reconhecer o terroir, privilegiando a sensação palatal sobre o olfato na identificação de características do solo.
- Ele critica maturação em barris de carvalho novos e destaca que solos arenosos, ardilosos ou lodos de argila moldam vinhos com delicadeza, riqueza ou firmeza conforme o tipo de solo, influenciando estilos como Cairanne, Rasteau, Vinsobres, Visan e Valréas.
Georges Truc é referência na geologia do vino do sul do Rhône. Reconhecido por mapear o terroir da região, ele está entre os nomes que mais ampliaram o conhecimento sobre solos, vinhos e terroir. Em Visan, onde vive, Truc explica como o solo molda cada garrafa.
Nascido em 1942, Truc cresceu em torno da vinícola do pai, na mesma vila. Embora a família não tivesse vinhedos próprios, produtores locais levavam uvas para vinificação. AKS de então era muito diferente da atual, com Grenache dominante e maturação em tonéis de concreto.
Ao longo de uma carreira dedicada à geologia, ele lecionou na Université de Lyon por 40 anos e colaborou com diversas appellations do Rhône para criar mapas de solo. Truc também publicou livros sobre Gigondas e Châteauneuf-du-Pape, consolidando métodos e conhecimentos.
O que ele prefere na prática
Truc se autodenomina oeno-geólogo, unindo vinho e rochas no estudo do terroir. O sul do Rhône é, segundo ele, um mosaico de solos, começando pelo Grenache, a variedade que melhor comunica o terroir.
Para entender os vinhos, ele recomenda primeiro reconhecer o sabor do Grenache puro, depois prová-lo em diferentes solos: calcário, galets roulés e areia. A partir disso, testar cortes variados de uvas e percentagens.
Segundo o expert, o toque é mais importante que o olfato para identificar o terroir. Em vez de começar pelo nariz, ele sugere paladar atento para não sobrecarregar a mente com aromas.
Sobre as necessidades de educação sensorial, Truc ressalta que o toque é uma sensação comum entre leitores de paladar, independentemente de origem. Assim, a percepção tátil ajuda a mapear terroir.
Solos e impacto no vinho
Para Truc, a textura dos taninos revela o solo. Galets roulés com argila subjacente conferem complexidade e riqueza; argila indica riqueza mineral. Areia favorece delicadeza e finesse, enquanto calcário pode resultar em vinos com acentuada secura e menos volume.
Ele não tem preferência por denominações específicas, mas valoriza solos de marna arenosa, formados pela combinação de argila e calcário. Tais solos aparecem em Cairanne, Rasteau, Vinsobres, Visan e Valréas.
Centrada no equilíbrio, a prática de barris novos é vista com reserva. Para Truc, madeira excessiva pode distorcer o caráter do Grenache, funcionando mais como meio de transporte do vinho do que de sabor.
Apesar de já estar na casa dos 80, Truc permanece ativo e influente. Seu trabalho ajudou inúmeros viticultores a compreender melhor o terroir e, por consequência, a produzir vinhos mais fiéis ao território.
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