- Dois estudos apresentados no Simpósio de Tumores Geniturinários da ASCO, em São Francisco, fevereiro, investigaram novas estratégias de tratamento para o câncer de rim, tanto no cenário pós-cirúrgico quanto na doença avançada.
- No estudo pós-operatório, mais de 1.800 pacientes foram avaliados: a combinação de nivolumabe com belzutifan foi comparada à imunoterapia pembrolizumabe isolada, após cirurgia.
- Resultados mostraram queda de 28% no risco de progressão da doença ou morte com a combinação frente ao uso isolado de pembrolizumabe, com efeitos colaterais gerenciáveis.
- No grupo com doença avançada que já falhou a tratamentos anteriores, mais de 750 pacientes foram incluídos. A combinação de lenvatinibe com belzutifan foi comparada à cabozantinibe.
- A dupla combinação reduziu o risco de progressão da doença ou morte em 30%, com quase o dobro de pacientes vivos sem progressão em dois anos, frente ao tratamento de referência.
O câncer de rim ganhou novas perspectivas de tratamento a partir de dois estudos apresentados no Simpósio de Tumores Geniturinários da ASCO, realizado em fevereiro, em São Francisco. A linha comum é combinar estratégias terapêuticas para ampliar o controle da doença e a sobrevida.
O primeiro estudo envolveu mais de 1.800 pacientes submetidos à cirurgia do câncer renal. O objetivo foi comparar a imunoterapia isolada com pembrolizumabe ao regime combinado de nivolumabe mais belzutifan. O belzutifan atua ao inibir o fator induzível por hipóxia, que favorece o crescimento tumoral.
Em relação aos resultados, a combinação reduziu em 28% o risco de progressão ou morte frente ao tratamento padrão, com efeitos adversos gerenciáveis. O achado representa o primeiro avanço relevante desde a adoção da imunoterapia como padrão global no cenário adjuvante.
Avanços em câncer de rim avançado
O segundo estudo incluiu mais de 750 pacientes com doença avançada que já falhara a terapia anterior. A pesquisa comparou cabozantinibe, referência para a doença, com a combinação de lenvatinibe e belzutifan. O lenvatinibe atua na via VEGF, ligada à vascularização tumoral.
A combinação reduziu o risco de progressão ou morte em 30% e, em dois anos, quase o dobro dos pacientes apresentaram sobrevida sem progressão em relação ao grupo controle. Esses resultados fortalecem a hipótese de que bloquear múltiplos mecanismos de formação de vasos sanguíneos, aliados a estímulos imunológicos, pode melhorar o controle da doença.
Implicações e contexto
Os dois trabalhos reforçam uma tendência da oncologia: ações terapêuticas combinadas podem ampliar o controle da doença e a duração da resposta. Em especial, para o câncer de rim, atacar de forma integrada vias de angiogênese e de resposta imune se mostra promissor.
O tema ganha relevância diante do diagnóstico geralmente tardio no Brasil, onde a doença supera 10 mil casos anuais e afeta principalmente homens a partir da sexta década. O Dia Mundial do Rim, em 12 de março, lembra a importância de prevenção e cuidado com a saúde renal.
Considerações finais
As pesquisas destacam avanços que podem mudar o manejo clínico, especialmente no cenário adjuvante pós-cirurgia e no rim metastático. Cientistas continuam avaliando eficácia a longo prazo, perfil de segurança e aplicabilidade prática dos regimes estudados.
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