- Mosca virtual controlada por um cérebro simulado ganha vida em um corpo digital chamado NeuroMechFly, em ambiente que simula percepção e movimento.
- O projeto conecta um cérebro reconstruído a partir do conectoma da mosca com um corpo virtual capaz de reagir a estímulos como gosto, cheiro e toque.
- FlyWire mapeou aproximadamente cento e quarenta mil neurônios e mais de cinquenta e quatro milhões de conexões, classificando cerca de oito mil tipos de células nervosas.
- O sistema utiliza neurônios artificiais simples que acumulam sinais e disparam quando atingem um limiar, gerando comandos de comportamento como caminhar, virar e alimentar.
- Limitações atuais: a simulação é simplificada, não reproduz todos os processos químicos nem estados internos; a ligação cérebro–corpo ainda é indireta e apenas parte dos neurônios motores foi incluída.
No vídeo divulgado pela empresa norte-americana Eon Systems, uma mosca virtual ganha “vida” ao ser controlada por um cérebro simulado. O ambiente digital mostra a mosca explorando, buscando comida e até limpando as antenas.
A iniciativa une um modelo computacional do sistema nervoso da Drosophila melanogaster a um corpo virtual capaz de reagir ao ambiente. A demonstração foca em um cérebro reconstruído a partir de dados biológicos em funcionamento.
Contexto científico
O experimento se apoia em avanços de outubro de 2024, quando artigos na Nature mostraram o primeiro mapa completo do conectoma da mosca-da-fruta. O mapa descreve redes de cerca de 140 mil neurônios e 54 milhões de conexões.
O FlyWire, projeto, mapeou 54 milhões de conexões e classificou aproximadamente 8.400 tipos de células nervosas, com mais de 4.500 ainda ainda desconhecidas. O material foi disponibilizado online para a comunidade científica.
Além disso, pesquisadores liderados por Philip Shiu publicaram um modelo matemático do cérebro da mosca com base nesse conectoma, integrando cerca de 140 mil neurônios ao mapa FlyWire. A simulação usa neurônios artificiais simplificados.
Do cérebro ao corpo
A mosca digital opera integrada a um corpo virtual modelado pelo NeuroMechFly, 87 articulações e física que simula gravidade e contato com o solo. A ligação entre cérebro e corpo segue sinais genéricos para ações como andar, virar e alimentar.
No ambiente, sensores virtuais simulam estímulos de gosto, cheiro e toque. As informações retornam ao cérebro simulado, que gera comandos aos músculos do corpo virtual, formando um ciclo contínuo.
Limitações e perspectivas
Pesquisadores destacam que a simulação permanece simplificada: muitos processos químicos dos neurônios não estão presentes, e estados internos como fome ou aprendizado não são simulados. A tradução cérebro-para-corpo ainda envolve simplificações.
Ainda assim, o projeto demonstra uma nova forma de estudar circuitos neurais conectados a um corpo digital. Com conectomas detalhados, é possível testar como redes neurais produzem comportamento dentro de uma simulação.
Observação final
O cérebro da mosca envolve cerca de 140 mil neurônios, números que ilustram o desafio de extrapolar modelos para animais maiores. A mosca virtual oferece, porém, um vislumbre de como mapas de conectividade podem orientar estudos sobre percepção, ação e ambiente.
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