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Substância contra câncer avança para testes em animais com nanopartículas

Seriniquinona encapsulada em nanopartículas de PLGA viabiliza testes em animais, abrindo caminho para melanoma e infecções fúngicas

Fotografia de um pesquisador segurando duas placas, substância promissora contra câncer.
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  • A seriniquinona, molécula estudada há mais de uma década, mostra potencial contra melanoma e infecções fúngicas, mas é insolúvel em água.
  • Pesquisadores da USP desenvolveram uma formulação com nanopartículas de PLGA para viabilizar a administração da substância em animais.
  • Em testes in vitro e em esferoides, a seriniquinona encapsulada foi mais eficiente contra células de melanoma do que a versão sem nanopartículas.
  • A formulação permite liberação controlada e prolongada no ambiente tumoral, o que pode favorecer a atuação no corpo.
  • Em larvas de Galleria mellonella, não houve sinais de toxicidade, marcando o primeiro registro do uso da seriniquinona em seres vivos.

A seriniquinona, molécula estudada há mais de uma década, mostrou potencial contra melanoma e infecções fúngicas. O desafio era a sua insolubilidade em água, o que dificultava testes em modelos animais.

Pesquisadores da USP desenvolveram uma formulação inovadora com nanopartículas para driblar esse problema. O avanço permite testar a seriniquinona em organismos vivos pela primeira vez, abrindo caminhos para novas terapias.

A pesquisa, publicada no Journal of Drug Delivery Science and Technology, utiliza nanopartículas de PLGA para encapsular a seriniquinona. O objetivo é facilitar a administração e liberação controlada no tecido tumoral.

A equipe, liderada por Rodrigo dos Anjos Miguel, mostrou que a forma encapsulada é mais eficiente do que a substância sem nanopartículas em culturas celulares e em esferoides de melanoma. A liberação tende a ser prolongada.

Em testes com larvas de Galleria mellonella, modelo in vivo, a formulação não exibiu toxicidade, sinalizando boa tolerabilidade inicial. Este é o primeiro registro do uso da seriniquinona em seres vivos.

A seriniquinona foi isolada da bactéria marinha Serinicoccus sp. Estudos anteriores indicavam potencial contra infecções fúngicas e câncer de pele, mas a aplicação prática dependia da solubilidade.

Com a nova formulação, pesquisadores avaliam possibilidades de aplicação tanto para melanoma quanto para infecções fúngicas, buscando tratamentos que atinjam lesões cutâneas e alvos sistêmicos.

Apenas etapas futuras de pesquisa, com mais testes de eficácia e segurança, poderão confirmar o potencial clínico da seriniquinona encapsulada e sua viabilidade terapêutica em humanos.

Eduarda A. Moreira é doutora em ciências (USP) e pesquisadora associada ao Labjor (Unicamp).

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