- O Brasil teve 80,6% de municípios sem registro de casos novos de hanseniase em menores de 15 anos em 2024, frente a 73,1% em 2019.
- O avanço é fruto de ações de vigilância, diagnóstico precoce e tratamento oportuno, com investimentos do Ministério da Saúde, estados e municípios.
- Entre 2022 e 2024, houve aumento de 42% nos diagnósticos da doença, e a estratégia de diagnóstico por exame de contatos passou de 9,6% para 13,3%.
- O Ministério da Saúde distribuiu mais de 325 mil testes rápidos para hanseníase e capacitou cerca de 4,7 mil profissionais de saúde.
- O número de atendimentos relacionados à hanseníase subiu de 140 mil em 2022 para cerca de 194 mil em 2024, com 27,4 mil pacientes em tratamento.
A maioria dos municípios brasileiros não registrou casos novos de hanseníase em menores de 15 anos, indicador crucial para medir a interrupção da transmissão. Em 2024, 80,6% das cidades ficaram sem registros, frente a 73,1% em 2019, totalizando cerca de 4,4 mil municípios livres da doença nessa faixa etária.
O avanço é atribuível ao fortalecimento das ações de vigilância, diagnóstico precoce e tratamento oportuno, em parceria entre Ministério da Saúde, estados e municípios. Entre 2019 e 2024, o governo destinou mais de R$ 21,3 milhões para pesquisas e projetos ligados à hanseníase.
A informação foi apresentada durante a Conferência Nacional de Alto Nível em Hanseníase, no Rio de Janeiro, realizada entre 12 e 14 de março, com participação de gestores, especialistas e representantes da sociedade civil. O objetivo é discutir metas de eliminação até 2030.
Avanços e metas
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou a retomada da busca ativa de casos, suspensa durante a pandemia, e a ampliação do diagnóstico. Hoje, o país realiza mais testes e busca identificar casos mais cedo para iniciar o tratamento rapidamente.
Segundo ele, manter a visibilidade sobre a doença é essencial para reduzir o estigma e melhorar o acesso aos serviços de saúde. O desafio permanece na redução de preconceito que pode afastar pessoas do diagnóstico e do tratamento.
Estratégias e cooperação
A Estratégia Nacional para Enfrentamento da Hanseníase 2024–2030 prevê interromper a transmissão em 4,8 mil municípios até 2030 (87,5% do território). O indicador depende da ausência de casos em menores de 15 anos por cinco anos consecutivos.
A conferência é realizada em parceria com a Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro e a Fundação Nippon – Projeto Sasakawa. O evento segue até 14 de março e reúne cerca de 350 participantes, incluindo autoridades, pesquisadores e representantes da sociedade civil.
Dados de implementação
Entre 2022 e 2024, o número de diagnósticos aumentou 42%, com maior uso de exames de contato para detecção precoce. O Ministério distribuiu mais de 325 mil testes rápidos para hanseníase e capacitou 4,7 mil profissionais de saúde.
Os atendimentos ligados à hanseníase cresceram de 140 mil em 2022 para 194 mil em 2024, enquanto as ações de prevenção de incapacidades passaram de 12,5 mil para 16 mil. O número de pacientes em tratamento elevou-se de 22,3 mil para 27,4 mil.
Sobre o tratamento
Em 2025, o Ministério da Saúde distribuiu 3,4 milhões de medicamentos, incluindo mais de 390 mil esquemas de poliquimioterapia. O tratamento é gratuito pelo SUS e, com o início, a transmissão costuma cessar.
A hanseníase, causada pela Mycobacterium leprae, afeta pele e nervos e pode causar manchas, dormência e fraqueza muscular. O diagnóstico precoce e o tratamento oportuno são fundamentais para a cura e a interrupção da transmissão.
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