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Bovinos afugentam leões de pastagem compartilhada no Quênia, afirma estudo

Leões evitam áreas com histórico de uso de gado nas conservancies da Mara, apontando necessidade de manejo de pastagens mais colaborativo e centrado na comunidade

Lions. Image courtesy of Kasaine Sankan-Mara Predator Conservation Program.
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  • Estudo realizado entre 2015 e 2023 em sete conservancies comunitárias da Mara, no Quênia, percorreu quase 69 mil quilômetros para registrar a presença de leões e de herbívoros.
  • Leões evitaram áreas com presença de gado, mesmo após o rebanho ter ido embora, e evitaram regiões com histórico de uso intenso de pastagem.
  • Os pesquisadores indicam que restringir o acesso ao pasto pode gerar resistência entre as comunidades Maasai, já que o gado é central para a subsistência e cultura locais.
  • Dados governamentais de leitura por aéreos mostram queda de grandes herbívoros silvestres em setenta por cento desde o final dos anos setenta, enquanto o gado caiu em treze por cento; ovelhas e cabras aumentaram duzentos e sessenta e nove por cento.
  • Os autores destacam a necessidade de abordagens colaborativas para o manejo da ração e do território, como zoneamento espacial, restrições sazonais e partilha de benefícios para equilibrar conservação e economia local.

O estudo realizado na região do Mara, no Quênia, revelou que os leões evitam áreas com criação de gado mesmo após os rebanhos terem se mudado. A pesquisa seguiu áreas de sete conservatórios comunitários entre 2015 e 2023, abrangendo quase 69 mil quilômetros, para mapear a presença de felinos, herbívoros silvestres e domesticados.

Pesquisadores ligados ao Mara Predator Conservation Program, iniciativa da Kenya Wildlife Trust, concluíram que a aversão dos leões não se restringe aos momentos de presença de pastores, mas persiste em áreas com histórico de alto uso de gado. Essa dinâmica aponta para impactos duradouros no uso do espaço pelos predadores.

A principal implicação é que mudanças na gestão de pastagens, como restrições de acesso, podem ser sensíveis para as comunidades Maasai, que dependem do gado. A pesquisa sugere abordagens colaborativas, com zoneamento espacial e restrições sazonais, para conciliar conservação e sustento local.

O que mudou no entendimento sobre manejo de pastagens

Segundo Niels Mogensen, da equipe, o efeito histórico de uso de gado influencia a presença de leões mesmo quando os animais não estão no local. A causa pode ser a diferença de disponibilidade de presas e a proteção contra predadores em estágios de pastagem mais curtos. O estudo não modelou práticas de manejo de forma direta, mas destacou a sensibilidade social.

Ona posição de que o acesso aos campos deve ser mantido para o sustento das comunidades, o pesquisador ressalta que mudanças abruptas exigem consenso. Estratégias podem incluir zones de uso, restrições temporárias e um compartilhamento claro dos benefícios econômicos advindos das conservações.

Para o herdeiro de Mosiro Conservancy, Peter Kilani, o modelo de uso de pastagens é amplamente mantido na região. Em Mosiro e em outras áreas, a prática comum é permitir o uso de todo o pasto disponível, com manejo que busca equilíbrio entre gado, vida selvagem e predadores.

Desdobramentos e contexto regional

Os dados de saúde ambiental apontam para queda de grandes herbívoros no Mara desde os anos 1970, com perda acentuada em algumas espécies, enquanto o rebanho e outros animais resistem de forma desigual. Especialistas apontam que a mudança na composição de espécies aumenta a necessidade de ajustes na gestão das áreas.

Daniel Sopia, presidente da Mara Wildlife Conservancy Association, afirma que os sistemas de pastagem rotativa ajudam a manter o equilíbrio entre presença de animais silvestres e atividades agropecuárias. A observação é de que a dinâmica entre gostos e pressões pode variar conforme a localidade.

A pesquisadora Nakedi Maputla, da Africa Wildlife Foundation, ressalta que a gestão de acesso à pastagem envolve questões de direitos humanos. A participação das comunidades é essencial para evitar ressentimentos e assegurar que as decisões contemplem as necessidades locais.

A análise de Mogensen sobre a relação entre leões, pastagens e uso humano reforça a complexidade das áreas de conservação no Maasai Mara, onde múltiplos usos do solo coexistem. O estudo ressalta a necessidade de abordagens que equilibrem objetivos de conservação e ganhos econômicos.

Dann Okoth contribuído a reportagem, com informações de Nairobi, ampliando o retrato regional sobre as conservações e as mudanças esperadas na gestão de rangelands.

Fontes: estudo publicado em Biological Conservation e participação de pesquisadores do Mara Predator Conservation Program e da Kenya Wildlife Trust.

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