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Como o cérebro separa vozes em ambientes com várias falas

Modelo computacional mostra como ampliar características da voz-alvo eleva a atenção, explicando o problema do cocktail party e abrindo caminhos para implantes cocleares

Josh McDermott (left), professor of brain and cognitive sciences and associate investigator at the McGovern Institute sits with graduate student Ian Griffith in the speaker array room where they conducted the study.
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  • Pesquisadores do MIT mostraram, por meio de um modelo computacional, como o cérebro pode focar em uma voz entre várias em ambientes barulhentos, ajudando a explicar o “cocktail party problem”.
  • O modelo amplifica a atividade de unidades neurais que respondem a características da voz-alvo, como o tom, para elevá-la ao topo da atenção.
  • O treinamento usa um “gatilho” (cue) com a voz desejada, que define aumentos multiplicativos nas unidades correspondentes, simulando o foco atencional humano.
  • Em diversas condições, o modelo reproduziu padrões de comportamento humano, incluindo erros semelhantes aos cometidos por pessoas ao segmentar vozes com tons parecidos.
  • Além do timbre, o estudo mostrou que a localização espacial ajuda na seleção da voz; pesquisas com humanos confirmaram a mesma tendência, com aplicações potenciais para implantes cocleares.

Dois pesquisadores da MIT apresentaram um modelo computacional que explica como o cérebro foca a atenção em uma voz entre várias em um ambiente barulhento. O estudo busca esclarecer o conhecido problema da festa de cocktails, ou cocktail party.

A equipe usou uma rede neural com ganhos multiplicativos para amplificar unidades que respondem a características da voz-alvo, como o tom. O objetivo foi reproduzir parâmetros da atenção auditiva humana em cenários com ruído e várias falas concorrentes.

O trabalho, liderado por Josh McDermott da MIT, contou com Ian Griffith, da Harvard, como autor principal, e R. Preston Hess, da MIT. O estudo foi publicado hoje na Nature Human Behavior.

Modelagem da atenção

Ao treinar o modelo, os autores usam um “cue” auditivo com a voz desejada. As ativações de unidades associadas ao tom dessa voz são multiplicadas por ganhos, elevando a voz alvo no processamento.

Em seguida, o modelo recebe trechos com várias vozes, incluindo a alvo, e deve identificar a segunda palavra dita pela alvo. Os ganhos anteriores modulam as ativações na mistura sonora.

Os resultados mostram que o modelo reproduz padrões de comportamento humano em várias condições, incluindo erros comuns ao distinguir vozes com tons parecidos.

Efeitos da localização

Além do tom, a localização espacial ajuda na seleção da voz. O modelo aprendeu a usar a posição para melhorar a focalização, obtendo melhor desempenho quando alvo e distração estão em locais diferentes.

Experimentos simulados com o modelo indicaram que a diferença espacial horizontal facilita a identificação da voz-alvo; diferenças verticais apresentam maior dificuldade, observada também em testes com pessoas.

Essa linha de pesquisa já foi aplicada para entender a atenção auditiva humana e pode orientar avanços em implantes cocleares, com foco em melhorar a concentração em ambientes ruidosos.

Fontes do estudo destacam que o uso de modelos computacionais permite testar inúmeras combinações de localização e características sonoras antes de validações em humanos.

A pesquisa foi financiada pelas National Institutes of Health.

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