- Um estudo publicado no Geophysical Research Letters aponta que o ritmo de aquecimento global quase dobrou desde 2015 em relação às décadas anteriores.
- Entre 2013 e 2014, o aumento médio ficou em cerca de 0,35 °C por década, o maior desde 1880.
- Os pesquisadores removem o ruído de fatores naturais, como El Niño, vulcões e ciclos solares, para medir o efeito humano no aquecimento.
- Se a tendência atual continuar, o mundo pode ultrapassar o limite de 1,5 °C do Acordo de Paris antes de 2030, com algumas projeções sugerindo 2028.
- O estudo não aponta causas específicas da aceleração, mas ressalta a necessidade de reduzir rapidamente as emissões de CO₂ para evitar consequências climáticas mais severas.
O estudo divulgado nesta semana aponta que o aquecimento global está ocorrendo em um ritmo acelerado, acima do observado nas décadas anteriores. Pesquisadores filtraram o ruído de fatores naturais para medir apenas a influência humana no aquecimento.
Os autores analisaram cinco grandes conjuntos de dados de temperatura global. O objetivo foi separar ciclos naturais, como variações solares, vulcânicas e El Niño, do aquecimento causado pela atividade humana.
Publicado no Geophysical Research Letters em 6 de junho, o artigo mostra que, desde 2013-2014, o aumento conjunto das temperaturas globais passou a ficar em torno de 0,35 °C por década, o maior registro desde 1880.
Os resultados indicam que, se o ritmo atual persistir, o limite de 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais previsto no Acordo de Paris pode ser ultrapassado antes de 2030, segundo um dos coautores, Stefan Rahmstorf.
Segundo o estudo, a metodologia remove o ruído de fenômenos naturais para explicar quanto do aquecimento é causado pelo homem. Os autores ressaltam que a participação humana no aquecimento é significativa e crescente.
Na prática, a ultrapassagem do teto de 1,5 °C dependeria de reduções rápidas e profundas das emissões de CO2 desde fontes fósseis, conforme utilização de energia e transporte menos intensivos em carbono.
O estudo não aponta causas específicas para a aceleração, mas sublinha que a taxa de aquecimento está aumentando de forma relevante e com alto nível de confiança, acima de 98%.
Especialistas destacam que a aceleração aumenta preocupações sobre eventuais pontos de não retorno, em que ecossistemas perdem a capacidade de se regenerar diante de extremos climáticos.
Os autores ressaltam que a velocidade do aquecimento reflete, em última análise, a eficácia das medidas globais para reduzir emissões, enfatizando a necessidade de ações mais radicais para cumprir as metas do Acordo de Paris.
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