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Vida fora da Terra: jovens de hoje devem ver as respostas no futuro

Astrofísico afirma que jovens provavelmente verão respostas sobre vida fora da Terra; financiamento público, IA e crise climática definem inovação e sobrevivência

Foto do autor Juliana Domingos de Lima
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  • O astrofísico Adam Frank afirma que os jovens de hoje provavelmente verão respostas sobre vida fora da Terra nas próximas décadas, com tecnologia e base teórica disponíveis em 10 a 30 anos.
  • A chamada “revolução dos exoplanetas” começou em 1995: hoje cada estrela tem sua própria família de planetas, e já é possível buscar evidências indiretas de vida em atmosferas de mundos distantes.
  • A evidência indireta é obtida ao analisar a luz que atravessa a atmosfera de um planeta quando ele passa entre a estrela e a Terra, buscando bioassinaturas e tecnoassinaturas; Frank lidera grupo financiado pela Nasa para buscar tecnoassinaturas.
  • O cientista comenta que o financiamento público é crucial para a ciência e inovação; destaca que a pesquisa básica gera impactos práticos, citações à internet e ao laser como exemplos, e defende parcerias internacionais para países em desenvolvimento.
  • Em O Ponto Cego, escrito com Marcelo Gleiser e Evan Thompson, discute a importância de integrar a experiência humana à ciência, avalia IA e defende mudanças sistêmicas para convivência com a biosfera, especialmente diante da crise climática.

O astrofísico americano Adam Frank, docente da Universidade de Rochester, lidera pesquisas sobre tecnoassinaturas no Universo e participa de discussões sobre financiamento à ciência, IA e mudança climática. A entrevista integra a programação do São Paulo Innovation Week, que ocorre de 12 a 15 de maio em São Paulo, na Mercado Livre Arena Pacaembu e na FAAP. O evento é realizado pelo Estadão, em parceria com a Base Eventos.

Frank explica que a busca por sinais de vida, incluindo vida tecnológica inteligente, pode avançar nas próximas décadas. Ele aponta que jovens de hoje devem ver respostas surgirem com o aumento da capacidade de observar planetas distantes e analisar suas atmosferas.

O pesquisador descreve a evolução da chamada revolução dos exoplanetas, iniciada em 1995, quando começaram a descobrir planetas orbitando outras estrelas. Hoje, ele afirma que quase toda estrela tem ao menos uma família de exoplanetas, e que a observação de sinais indiretos de vida é uma área recente, ainda em desenvolvimento.

Como se detectam evidências de vida

Para investigar planetas distantes, a equipe analisa a luz que atravessa a atmosfera de um mundo quando ele passa entre a estrela e a Terra. A luz carrega impressões químicas que indicam a composição atmosférica e a possível presença de biosignaturas ou tecnoassinaturas.

Frank liderou o primeiro grupo a receber financiamento da Nasa para buscar tecnoassinaturas. Ele ressalta que a busca por vida inteligente é uma parte central de seu trabalho, sem depender de fotografias diretas dos planetas.

Financiamento público e ciência

O astrofísico afirma que o financiamento público é essencial para a inovação, mas aponta que a ciência nos EUA vive pressão orçamentária. Segundo ele, a liderança científica depende do apoio à pesquisa básica, que gera impactos econômicos e tecnológicos no longo prazo.

Ele compara ciclos históricos de liderança científica com mudanças de financiamento, destacando que a atual tendência pode comprometer a posição de seu país na fronteira da ciência, caso não haja recuperação de investimentos.

Perspectivas para o Brasil e cooperação internacional

Em relação ao Brasil, Frank diz que a ciência básica gera retorno econômico expressivo, citando exemplos como a origem da internet a partir de pesquisas astronômicas. Ele defende parcerias internacionais como caminho para fortalecer ciência e inovação em países com orçamento restrito.

O pesquisador cita colaborações com cientistas brasileiros e aponta que o Brasil tem potencial para se tornar uma potência científica neste século, desde que fortaleça acordos internacionais e investimentos em pesquisa.

IA, sociedade e astrobiologia

Na obra O Ponto Cego, escrita com Marcelo Gleiser e Evan Thompson, Frank questiona a integração entre ciência e experiência humana. Em relação à IA, ele destaca riscos de uso excessivo sem testes adequados, mas afirma que sistemas atuais não superam a humanidade.

Ele vê a tecnologia como ferramenta, não salvadora definitiva. O debate citado no livro defende que cidadãos devem influenciar o desenho da IA, definindo o que desejam que a tecnologia realize ou não.

Clima, biosfera e vida no Universo

Frank comenta que a astrobiologia oferece uma perspectiva sobre a crise climática: não é apenas uma missão de salvar a Terra, mas de entender a sobrevivência de civilizações que respeitem as leis físicas do planeta. Segundo ele, a mudança climática é um processo planetário real que exige ação e mudanças de comportamento.

Por fim, o astrofísico reforça que a inovação tecnológica pode ajudar, mas sozinho não resolve a situação. É necessário um conjunto de mudanças sistêmicas para que a biosfera seja tratada como parceira estratégica da humanidade.

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