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Estudo aponta que maconha não alivia problemas de saúde mental

Análises de padrão-ouro mostram que cannabis não trata ansiedade, depressão ou PTSD; médicos continuam a prescrever, com riscos e possíveis conflitos de interesse

Planta de maconha
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  • Duas análises de pesquisas de alto nível indicam que a maconha medicinal ou recreativa não é eficaz para tratar ansiedade, depressão ou transtorno de estresse pós-traumático.
  • A revisão da Lancet Psychiatry, que envolveu 54 ensaios clínicos randomizados, aponta que as formas de cannabis usadas em estudos (principalmente orais) não trazem benefício para saúde mental, e o uso fumado é ainda menos estudado.
  • Mesmo com a falta de evidências, médicos continuam prescrevendo cannabis para saúde mental, e há conflitos de interesse entre a indústria e alguns estudos.
  • A potência da maconha atual aumentou, com THC médio entre dezoito e vinte por cento, chegando a concentrações muito maiores em alguns produtos, o que eleva o risco de dependência e de transtornos psicóticos.
  • Existem alternativas comprovadas para tratar saúde mental, como terapia cognitivo-comportamental e inibidores seletivos de recaptação de serotonina, com orientação de profissionais capacitados.

O uso de cannabis, seja medicinal ou recreativa, não mostrou eficácia no tratamento de ansiedade, depressão ou transtorno de estresse pós-traumático, segundo duas análises de alto nível. As revisões consideram ensaios clínicos randomizados publicados entre 1980 e 2025.

Os estudos avaliam formulações com CBD e THC, em várias formas, principalmente orais. Em ambientes reais, o consumo ocorre predominantemente por meio de cannabis fumada, o que traz incertezas adicionais sobre efeitos na saúde mental.

Os pesquisadores destacam que, além dessas condições, não houve melhoria em anorexia nervosa, transtorno bipolar, TOC ou transtornos psicóticos como esquizofrenia. Os ensaios são descritos como desafiadores de conduzir, com amostras pequenas.

Evidência e impactos

A análise publicada na Lancet Psychiatry afirma que, no conjunto de pesquisas, não houve evidência suficiente para recomendar cannabis no tratamento de saúde mental. Dra. Deepak D’Souza, que revisou estudos na JAMA, reforça a ausência de benefício verificável.

Apesar das evidências, a prescrição por médicos persiste em muitos estados dos EUA. A indústria de cannabis também é apontada como potencial fator de conflito de interesse em alguns estudos, segundo especialistas.

Segurança e uso responsável

Especialistas alertam para riscos do uso regular de cannabis de alta potência, especialmente entre adolescentes e jovens adultos com transtornos de humor. O consumo pode elevar o risco de transtornos psicóticos e prejudicar a cognição.

Dados recentes indicam que o conteúdo de THC na cannabis disponível hoje é maior do que décadas atrás, com concentrações que variam de 18% a 35% e, em alguns casos, até 80% em extratos. Essa potência está associada ao aumento de impactos adversos.

Caminhos alternativos

Especialistas indicam tratamentos comprovados para saúde mental, como ISRSs para depressão e ansiedade, frequentemente aliados à terapia cognitivo-comportamental (TCC). Profissionais ressaltam a importância de opções baseadas em evidências.

Apoio terapêutico e farmacológico, quando indicado, devem seguir diretrizes clínicas. Organizações renomadas mantêm listas de profissionais treinados em TCC e tratamentos respaldados por evidência científica.

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