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Cristais de Memória Podem Resolver a Crise de Armazenamento de Dados

Cristais de memória em vidro permitem até 360 terabytes por disco, gravados em cinco dimensões e lidos por microscópio óptico, com baixo consumo energético

Dados gravados em vidro
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  • Descoberta em 1999, no Japão, por Peter Kazansky, de discos de vidro que podem armazenar até 360 terabytes em um disco de cinco polegadas, usando voxels em cinco dimensões.
  • Dados são gravados em estruturas microscópicas e lidos por um microscópio óptico especializado, convertendo variações de luz em informações digitais.
  • Vantagens incluem maior capacidade e consumo energético menor, pois a energia é demandada apenas na escrita; discos precisam de recipientes resistentes por serem de vidro.
  • Em fevereiro de 2026, a Microsoft publicou, na Nature, estudo sobre armazenamento em vidro de borossilicato, destacando custo mais baixo como fator-chave de viabilidade.
  • A SPhotonix foi criada em 2024 por Kazansky e seu filho, levantando cerca de US$ 4,5 milhões e preparando protótipos para testes com empresas nos próximos dois anos.

Os cristais de memória podem oferecer uma saída para a crise de armazenamento de dados. Pesquisas remontam a 1999, quando cientistas japoneses descobriram uma forma de gravar em vidro através de microestruturas que captam luz. O alvo é oferecer discos com maior capacidade e menor consumo energético.

A ideia, desenvolvida inicialmente no laboratório de optoeletrônica da Universidade de Kyoto, envolve gravar dados em voxels tridimensionais dentro de vidro de borossilicato. Esses padrões luminosos permitem armazenar informações em cinco dimensões, lidas por microscópio óptico especializado, com leitura que transforma variações de luz em dados digitais.

Com a crescente geração de dados e o peso energético dos data centers, pesquisadores buscam soluções mais eficientes. Infraestruturas atuais consomem cerca de 1,5% da eletricidade mundial. Alternativas como DNA e fitas magnéticas também são estudadas, cada uma com vantagens e limitações em durabilidade e custo.

Histórico

A descoberta foi impulsionada por Peter Kazansky, que atuou no Japão em 1999. No laboratório de Kyoto, lasers ultrarrápidos criaram fissuras no vidro, revelando estruturas internas formadas por microexplosões induzidas por laser. Isso abriu caminho para a impressão de padrões complexos em materiais transparentes.

Os criadores afirmam que discos de vidro de 5 polegadas podem chegar a 360 terabytes. A leitura ocorre por meio de óptica avançada, sem necessidade de energia contínua para manter os dados, diferentemente de data centers tradicionais.

Viabilidade e comparação de tecnologias

Estudos indicam que o vidro oferece maior densidade e consumo energético menor durante a escrita. Contudo, a necessidade de recipientes resistentes para evitar quebras é um obstáculo logístico. Em termos de custo, o vidro borossilicato aparece como mais viável que outros materiais.

A aposta do mercado também envolve o custo de infraestrutura e a durabilidade em longo prazo. Apesar da promessa, especialistas enfatizam que a tecnologia ainda depende de validação prática em ambientes comerciais e de escalabilidade.

SPhotonix e futuro próximo

Em 2024, Peter Kazansky criou a empresa SPhotonix com o objetivo de comercializar a tecnologia. A startup fechou uma rodada de financiamento de US$ 4,5 milhões e planeja testar protótipos com empresas do setor nos próximos dois anos, para avaliar desempenho e custo.

A Microsoft publicou, em fevereiro de 2026, estudo na Nature sobre armazenamento em vidro de borossilicato, destacando custo baixo em comparação a outros materiais. A empresa ressalta a importância de manter os discos em recipientes resistentes por conta da fragilidade do vidro.

Fontes citadas indicam que a tecnologia pode oferecer leitura rápida com dados em cinco dimensões, usando voxels orientados pela luz. A participação de grandes players do setor sinaliza interesse, mas ainda não há adoção comercial ampla.

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