- A BTQ Technologies lançou a primeira implementação funcional do BIP 360 na rede de testes Bitcoin Quantum.
- O objetivo é testar transações de BTC resistentes a computadores quânticos em um ambiente real, em uma blockchain separada que funciona como canário quântico.
- A adoção pelo ecossistema do Bitcoin não é esperada; o projeto questiona como motivar mineradores e usuários a migrar para uma nova cadeia.
- O BIP 360 usa o Pay-to-Merkle-Root para limitar a exposição de chaves públicas e reduzir vulnerabilidade a ataques quânticos, mas não protege o histórico de transações.
- O Bitcoin Quantum funciona a partir de um bloco de gênese, não como fork de estado; já conta com mais de cinquenta mineradores e mais de cem mil blocos minerados.
O Bitcoin pode ganhar proteção contra quântica com uma implementação em teste. A BTQ Technologies lançou a primeira versão funcional do BIP 360 na rede de testes Bitcoin Quantum, permitindo que desenvolvedores, mineradores e pesquisadores avaliem transações resistentes a computadores quânticos.
A iniciativa não busca atualizar a rede principal do Bitcoin de imediato. Em vez disso, a BTQ criou uma blockchain de teste separada para experimentos com transações protegidas, funcionando como um ambiente de ensaio para falhas e acertos antes de qualquer adoção.
Christopher Tam, presidente e chefe de inovação da BTQ, descreve a Bitcoin Quantum como um canário na mina de carvão para o ecossistema. A ideia é observar como reagiriam mineradores e usuários diante de mudanças, sem modificar já a rede existente.
A proposta levanta o desafio social da governança. Segundo Tam, convencer os chamados somas sacerdotes do Bitcoin é essencial para uma transição, mas pode requerer tempo e consenso entre diferentes atores da comunidade.
Especialistas alertam que computadores quânticos práticos poderiam quebrar a criptografia de curva elíptica, expondo parte da oferta de BTC. Relatórios recentes estimam que cerca de 35% das moedas poderiam ficar vulneráveis a ataques.
O BIP 360 utiliza o método Pay-to-Merkle-Root (P2MR) para reduzir a exposição de chaves públicas, limitando-as a condições com hash. A BTQ afirma que a implementação em Bitcoin Quantum testa apenas uma parte da solução para o risco quântico.
Operando no nível do código-fonte
A Bitcoin Quantum não migra saldos ou replica o livro-razão. O projeto parte de um novo bloco de gênese, criando um ativo de prova de trabalho separado que os usuários devem optar por adotar.
Tam enfatiza que o fork ocorre no código, não no estado da rede. O Bitcoin continua em seu bloco original, enquanto o Bitcoin Quantum começa do zero, com regras diferentes aplicadas ao cryptosistema.
Segundo a equipe, já há mais de 50 mineradores na rede de testes e o número de blocos minerados supera 100 mil. O objetivo é validarem a viabilidade de criptografia pós-quântica sem interferir no ecossistema atual.
O debate sobre a adoção envolve também o tema do tempo para enfrentar a ameaça quântica. Analistas lembram que o Q-Day deve acontecer, e que uma resposta coordenada é desejável, mesmo diante de resistência histórica a grandes atualizações do protocolo.
Créditos: notícia traduzida e editada com autorização do Decrypt, mantendo o foco em informações verificáveis e sem opinião pessoal.
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