- Conferência no MIT discutiu quem se beneficia da inteligência artificial e o impacto da tecnologia, com mais de 300 pessoas presentes.
- Em palestra principal, Karen Hao pediu mudança na trajetória de IA, defendendo menos uso de escala de dados, de centros de dados e de modelos para inteligência artificial geral.
- Hao apontou consumo de energia, emissões e impacto humano do trabalho de input de dados, defendendo caminhos com modelos menores e mais específicos.
- Ela citou AlphaFold como exemplo de IA pequena e focada que entrega grandes benefícios sem necessidade de supercomputação.
- Em palestra de Paola Ricaurte, destacou a IA orientada a propósito e a importância de tecnologias que respondam às comunidades que as utilizam, avaliando utilidade com base em metas sociais.
O MIT sediou nesta quarta-feira uma conferência que discutiu o futuro da inteligência artificial e quem pode se beneficiar dela. A programação reuniu palestrantes, pesquisadores e público para debater impactos, riscos e caminhos possíveis para a tecnologia. O evento ocorreu no espaço de Schwartzman College of Computing, com mais de 300 pessoas presentes.
Entre os destaques, a jornalista Karen Hao defendeu uma mudança de direção no desenvolvimento de IA, afastando-se do avanço maciço de dados, centros de processamento e modelos voltados à chamada IA geral. Hao argumentou que esse modelo em larga escala é desnecessário para colher benefícios práticos.
Hao salientou os custos energéticos e as emissões associados ao hiperescala de dados, além do esforço humano envolvido na alimentação de bases de dados para treinar modelos. Em contraste, apontou um caminho “pequeno e específico” que resolve problemas bem definidos, como o projeto AlphaFold para dobramento de proteínas.
Outra conferência contou com a professora Paola Ricaurte, da Tecnológico de Monterrey, que enfatizou abordagens de IA orientadas por propósitos e pela utilidade para as comunidades. Ricaurte participa de comitês e iniciativas ao lado de Harvard e UNESCO, entre outros.
A organização do evento ficou a cargo do MIT Program in Women’s and Gender Studies. Manduhai Buyandelger, diretora do programa e professora de antropologia, fez as palavras iniciais, destacando o tema central: gênero, império e IA.
O encontro intitulado “Gender, Empire, and AI: Symposium and Design Workshop” incluiu palestras, debates em grupos e uma sessão de design com foco em várias áreas temáticas. A programação ressaltou a necessidade de alinhar tecnologias às necessidades cotidianas.
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