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IA revoluciona a imunoterapia contra o câncer com novas abordagens

AI identifica rapidamente quais pacientes devem receber imunoterapia ao mapear o microambiente tumoral a partir de lâminas simples, reduzindo custos e tempo de avaliação

Como a AI está mudando o jogo da imunoterapia contra o câncer
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  • A Microsoft, com pesquisadores da Providence Genomics e da University of Washington, criou a plataforma GigaTIME para mapear o microambiente imune tumoral a partir de lâminas de patologia H&E, tornando a avaliação mais rápida e barata.
  • O modelo foi treinado com banco de dados de 40 milhões de células da Providence e aplicado em 14.256 pacientes de câncer em 51 hospitais e mais de mil clínicas.
  • Foram geradas cerca de 300 mil imagens de imunofluorescência multiplex para entender como os tumores interagem com o sistema imunológico, abrangendo 24 tipos de câncer e 306 subtipos.
  • No total, foram identificadas mais de 1.200 associações estatisticamente significativas sobre ativação de proteínas e biomarcadores no microambiente tumoral.
  • A tecnologia pode permitir avaliar o microambiente tumoral a partir de lâminas, potencialmente reduzindo custos e tempo em exames para definir quem pode responder à imunoterapia, embora ainda seja um estudo em andamento.

A imunoterapia de precisão, que estimula o próprio organismo a combater tumores, pode impedir o avanço da doença com menos efeitos colaterais do que a quimioterapia. No entanto, a resposta varia entre pacientes.

Pesquisadores buscam identificar quem tem maior probabilidade de se beneficiar. Testes de laboratório costumam ser demorados, caros e nem sempre disponíveis de forma ampla.

Em parceria com a Providence Genomics e a University of Washington, a Microsoft criou a plataforma GigaTIME. Ela usa inteligência artificial para mapear a gramática celular do microambiente tumoral a partir de lâminas de patologia H&E.

GigaTIME analisa o microambiente imune do tumor, o TIME, que influencia progressão, metástase e resistência a terapias imunológicas. O objetivo é prever respostas ao tratamento com maior precisão.

O modelo foi treinado com um banco de dados de 40 milhões de células da Providence e aplicado a 14.256 pacientes de câncer atendidos em 51 hospitais e mil clínicas.

Foram geradas cerca de 300 mil imagens de imunofluorescência multiplex, usadas para entender as interações entre tumores e o sistema imune. O estudo abrangeu 24 tipos de câncer e 306 subtipos.

Ao todo, a pesquisa identificou mais de 1.200 associações estatisticamente significativas entre proteínas ativadas e biomarcadores relevantes. Os resultados foram publicados na revista Cell.

Carlo Bifulco, diretor médico da Providence, ressaltou o potencial da GigaTIME para acelerar descobertas na oncologia de precisão ao analisar milhares de pacientes.

Kenneth Gollob, chefe do CRIO do Hospital Israelita Albert Einstein, planeja usar a plataforma em pesquisas sobre imunoterapia, com apoio de instituições brasileiras. A ideia é ampliar o conhecimento sobre quem responde ao tratamento.

Gollob destacou que hoje a identificação de respondentes envolve exames genéticos e de imunofluorescência demorados e caros, o que pode limitar o acesso. A tecnologia pode reduzir custos e tempo.

Segundo Gollob, a avaliação do microambiente tumoral poderia ser feita com imagens de lâminas de patologia, tornando o processo mais rápido e barato. A proposta é viável em laboratórios públicos.

Pesquisadores brasileiros ressaltam que a IA permite inferir a imunofluorescência multiplex a partir de dados mais simples, o que pode ampliar o uso da técnica.

Pedro Alexandre Favoretto Galante, do Instituto Sírio-Libanês, compara o avanço a observar um mapa de bairros para orientar decisões médicas. A visualização das interações tumorais é vista como essencial para escolhas terapêuticas.

Galante explica que as equipes demonstraram que, com treinamento suficiente, o sistema pode alcançar alta precisão. Ainda assim, enfatiza que o estudo é experimental e não define resultados clínicos universais.

Observa-se, portanto, que a inovação oferece promessa de ampliar o acesso à imunoterapia e diminuir custos, mas exige validação clínica contínua e avaliação regulatória.

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