- Pesquisadores da USP identificaram 12 antibióticos no Rio Piracicaba, com monitoramento de água, sedimento e peixes perto da barragem de Santa Maria da Serra, na região do reservatório de Barra Bonita.
- A maioria dos antibióticos ficou abaixo do limite de detecção na estação chuvosa; na seca, substâncias diferentes foram encontradas, com maiores concentrações no sedimento.
- Cloranfenicol foi detectado em peixes lambari (Astyanax sp.) apenas na estação seca, em níveis de dezenas de microgramas por quilo, substância proibida para animais destinados à alimentação no Brasil.
- Em laboratório, a planta aquática Salvinia auriculata removeu mais de 95% da enrofloxacina da água, e a remoção de cloranfenicol ficou entre 30% e 45%.
- A presença da planta pode alterar a forma como os antibióticos são absorvidos pelos peixes, conforme o estudo liderado por Patrícia Evangelista e apoiado pela FAPESP, publicado na revista Environmental Sciences Europe.
O estudo, realizado pelo Centro de Energia Nuclear na Agricultura da USP, identificou diferentes classes de antibióticos no Rio Piracicaba, em São Paulo. A pesquisa avaliou água, sedimento e peixes perto da barragem de Santa Maria da Serra, na região de Barra Bonita, para entender a contaminação por esgoto e atividades agropecuárias.
A investigação foi conduzida sob a liderança de Patrícia Alexandre Evangelista, com apoio da FAPESP, e teve os resultados publicados na revista Environmental Sciences Europe. As amostras abrangeram a estação chuvosa e a seca, buscando variações sazonais.
Foram monitorados 12 antibióticos de uso comum. Na estação chuvosa, a maioria ficou abaixo do limite de detecção; na seca, substâncias distintas foram encontradas, com maiores concentrações no sedimento.
Resultados principais
Um achado relevante foi a detecção de cloranfenicol em peixes lambari (Astyanax sp.), autorizado para uso humano apenas em situações específicas. O antibiótico foi encontrado apenas na estação seca, em dezenas de microgramas por quilo.
Em laboratório, a planta aquática Salvinia auriculata eliminou mais de 95% da enrofloxacina da água. A remoção de cloranfenicol ficou entre 30% e 45%. A presença da planta também parece alterar a forma como os antibióticos são absorvidos pelos peixes.
Efeito da Salvinia auriculata
Os pesquisadores destacaram que a Salvinia auriculata pode contribuir para reduzir a contaminação em ambientes aquáticos. Contudo, o estudo aponta a necessidade de mais dados sobre impactos ecológicos e aplicação prática.
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