- O período de 2015 a 2025 é o mais quente já registrado na série histórica, segundo o relatório Estado do Clima Global 2025 da Organização Meteorológica Mundial (WMO).
- Em 2025, as temperaturas ficaram cerca de 1,43 grau Celsius acima dos níveis pré‑industriais.
- O relatório aponta que as concentrações de gases de efeito estufa mantêm aquecimento da atmosfera e dos oceanos, com derretimento de geleiras.
- O aquecimento está associado a desequilíbrio energético global, sendo que 91% do excesso de calor fica nos oceanos e 3% aquece o gelo das calotas polar.
- A WMO destaca impactos na saúde, economia e ecossistemas, com mais de 1,2 bilhão de trabalhadores expostos ao calor no trabalho e aumento de eventos extremos como ondas de calor, secas e tempestades.
O período entre 2015 e 2025 foi o mais quente já registrado na série histórica, segundo o relatório Estado do Clima Global 2025 da World Meteorological Organization (WMO). A divulgação coincide com o Dia Mundial da Meteorologia, celebrado nesta segunda-feira (23). O documento também aponta que o ano de 2025 está entre os mais quentes, com aproximadamente 1,43 °C acima de níveis pré-industriais.
O texto ressalta que o aquecimento é impulsionado pela concentração de gases de efeito estufa, que elevam a temperatura da atmosfera e dos oceanos e aceleram o derretimento de geleiras. Eventos extremos — calor intenso, chuvas fortes e ciclones tropicais — evidenciam a vulnerabilidade de economias e sociedades conectadas.
A ONU, por meio do secretário-geral António Guterres, descreve o estado do clima como uma emergência e reforça a necessidade de agir com urgência. O relatório cita onze anos consecutivos de recordes de calor, destacando que a repetição dos dados não é coincidência e sim um chamado à ação.
Desequilíbrio energético
O relatório inclui o balanço de energia da Terra como indicador climático. Em condições estáveis, a energia recebida pelo planeta quase se iguala à energia irradiada de volta ao espaço. Mas o aumento de gases como CO2, metano e óxido nitroso rompe esse equilíbrio.
Dados da WMO apontam que 91% do excesso de calor fica armazenado nos oceanos, atuando como amortecedor, o que leva ao aquecimento das águas. O derretimento de gelo no Ártico e na Antártida também avança, com 3% do calor adicional contribuindo para esse processo.
O aquecimento dos oceanos e a elevação do nível do mar, medidos por satélite desde 1993, seguem acelerados. Alterações no aquecimento oceânico e no pH das profundezas são consideradas irreversíveis em escalas de tempo que vão de séculos a milênios.
Em 2025, o calor acumulado nos oceanos atingiu níveis recordes para a profundidade de até 2 mil metros. A WMO registra que esse esforço térmico acompanha o agravamento de ecossistemas marinhos e a redução da capacidade de os oceanos atuarem como sumidouro de carbono.
Impactos na saúde
A agência aponta efeitos abrangentes das mudanças climáticas sobre mortalidade, meios de subsistência, ecossistemas e sistemas de saúde. A pressão envolve também maiores riscos de doenças transmitidas por vetores e pela água, além de impactos na saúde mental de populações vulneráveis.
A WMO estima que mais de um terço da força de trabalho global — cerca de 1,2 bilhão de pessoas — está exposto a riscos de calor extremo, especialmente em agricultura e construção. As condições climáticas intensas reduzem produtividade e afetam meios de subsistência.
A entidade afirma haver necessidade urgente de integrar dados meteorológicos e climáticos aos sistemas de informação em saúde. A ideia é orientar medidas preventivas por autoridades, em vez de ações apenas reativas.
Entre na conversa da comunidade