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Peixes migratórios de água doce entre os mais ameaçados do mundo

Relatório divulgado na COP15 aponta queda de 81% nas populações de peixes migratórios de água doce desde 1970, com 325 espécies sob pressão, 55 na América Latina

Brasília (DF), 19/03/2026 - Peixes contaminados trazem riscos à saúde de ribeirinhos na Amazônia. Foto: ICMBio
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  • O relatório Avaliação Global dos Peixes Migratórios de Água Doce, apresentado na COP15 em Campo Grande, aponta 325 espécies sob conservação internacional.
  • Desse total, 55 espécies estão na América Latina, com a Bacia Amazônica destacada como área prioritária para proteção.
  • Desde 1970, as populações de peixes migratórios de água doce caíram cerca de 81%.
  • Entre as ameaças estão barragens, poluição, pesca predatória e impactos das mudanças climáticas, que afetam habitats e a migração rural dos peixes.
  • A delegação brasileira apresenta ações como o Plano de Ação Regional para os Bagres Migratórios da Amazônia (2024–2025) e defende a inclusão do pintado (Pseudoplatystoma corruscans) no Anexo II da CMS.

O estudo Avaliação Global dos Peixes Migratórios de Água Doce foi apresentado durante a COP15, realizada em Campo Grande (MS). A pesquisa aponta 325 espécies que demandam conservação internacional urgente.

Entre as 325, 55 espécies ocorrem na América Latina. A Bacia Amazônica aparece como área prioritária para ações protegidas pela CMS, segundo o relatório.

A análise revela uma crise silenciosa debaixo d’água: a população global de peixes migratórios de água doce caiu cerca de 81% desde 1970. Os fatores incluem construção de barragens, poluição e pesca predatória, agravados pela mudança climática. rios mais secos dificultam migrações para alimento e reprodução.

A mudança climática intensifica a degradação e a fragmentação de habitats, aumentando a pressão sobre as espécies que sustentam economias locais na Amazônia, além de alimentar o consumo proteico de comunidades ribeirinhas. (Parágrafo informativo, dado único)

Delegação brasileira

A secretária Nacional de Biodiversidade, Rita Mesquita, disse que o Brasil leva propostas à COP15 para inverter o declínio dessas espécies que percorrem o território nacional. Um exemplo é o Plano de Ação Regional para os Bagres Migratórios da Amazônia, elaborado com Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela para 2024-2025.

Segundo Mesquita, esses peixes percorrem cerca de 11 mil quilômetros entre reprodução e crescimento. A cooperação regional é essencial para que as ações no Brasil tenham espelho nos demais países.

O Brasil apoia ainda a inclusão do pintado, conhecido como surubim-pintado, na Bacia do Prata, na lista do Anexo II da CMS. A intenção é ampliar o alcance da proteção a mais espécies migratórias da região.

Perspectivas e próximos passos

O relatório indica que muitas espécies permanecem sem inclusão na convenção, o que dificulta a proteção internacional. O Brasil planeja atualizar sua lista de espécies ameaçadas, ajustando status de vulnerabilidade conforme novas avaliações.

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