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Riscos de atrofia cognitiva ligados à IA e estratégias de prevenção

Estudo do MIT liga uso de IA à menor ativação cerebral; especialistas sugerem usar a IA como extensão do pensamento para evitar redução do esforço cognitivo

Sete em cada 10 alunos do ensino médio usam IA generativa em pesquisas
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  • Estudo do MIT Media Lab, publicado em 2025 e chamado “Your Brain on ChatGPT”, aponta a ideia de “dívida cognitiva” associando uso de IA à menor ativação cerebral.
  • Com 54 participantes divididos em três grupos (raciocínio próprio, internet e IA), há diferença significativa na conectividade cerebral entre quem usou IA e quem não usou.
  • Neurocirurgiões ouvidos pela CNN Brasil afirmam que a IA não é vilã; o problema é o uso passivo, que reduz a ativação cerebral em áreas de memória, atenção e pensamento crítico.
  • O conceito de cognitive offloading (terceirização cognitiva) sugere que delegar tarefas cognitivas pode diminuir a atividade neural e, com o tempo, reduzir a retenção de informações e a autoria do conteúdo.
  • Recomenda-se usar IA como extensão do pensamento, não como substituição: resolver problemas sozinho primeiro, refinar com IA, questionar e validar as respostas, e manter estímulos cognitivos diversos para fortalecer o aprendizado.

O MIT Media Lab publicou em 2025 um estudo conhecida como Your Brain on ChatGPT, que introduz o conceito de dívida cognitiva. A pesquisa investiga como o uso de inteligência artificial pode influenciar a ativação cerebral durante atividades mentais.

A CNN Brasil ouviu neurologistas para entender os possíveis riscos da IA. O estudo envolveu 54 participantes, divididos em três grupos: raciocínio apenas, uso da internet e uso de IA. Ao final, houve diferença significativa na conectividade cerebral entre quem recorreu à IA e quem não utilizou apoio externo.

Como o estudo foi conduzido

O experimento foi descrito pela neurologista Juliana Khouri como um grupo que resolveu problemas apenas com raciocínio, outro que contou com a internet e um terceiro que utilizou IA. O resultado apontou menor ativação cerebral no grupo com IA, sugerindo economia de energia, porém menor exercício cognitivo.

Hugo Dória, neurocirurgião, reforçou que esses resultados indicam menor ativação em áreas ligadas à memória, atenção e pensamento crítico. Segundo ele, isso não configura dano cerebral, mas um possível processo de redução do esforço necessário para tarefas cognitivas.

Interpretações e ressalvas

Os especialistas destacam que o problema não é a IA em si, mas a forma de uso. O fenômeno conhecido como cognitive offloading envolve terceirização de funções como pensar e estruturar ideias, o que pode reduzir a ativação de redes neurais ao longo do tempo.

Estudos recentes associam dependência precoce a impactos na formação de memória e na capacidade de síntese de ideias. Para o neurocientista, o cérebro responde a estímulos: mais demanda cognitiva fortalece circuitos, enquanto menos esforço pode empobrecer o processo de aprendizagem.

Recomendações práticas

Especialistas sugerem que a IA seja usada como suporte, não como substituição do pensamento. Em prática, recomenda-se resolver o problema inicialmente sem auxílio, usar a IA apenas para refinar respostas e validar ou reinterpretar o que foi obtido.

O objetivo é manter o cérebro ativo por meio de raciocínio, escrita e organização de ideias sem depender integralmente da tecnologia. Diversificar estímulos cognitivos, como leitura aprofundada, também é indicado para preservar a memória e o senso crítico.

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