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Cães domesticados há pelo menos 15 mil anos, indicam novos estudos

Estudos indicam cães domesticados há pelo menos quinze mil anos, cinco mil a mais do que se pensava, com dispersão pela Eurásia antes da agricultura

Fotografia do Maxila de um cão domesticado da caverna de Kesslerloch, em Thayngen, Suíça.
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  • Pesquisas publicadas na revista Nature indicam que cães domesticados surgiram há pelo menos 15.800 anos, cerca de 5 mil anos antes do que se pensava, com fósseis na Turquia e na Europa.
  • Análises de DNA antigo em ossos de 216 fósseis mostraram que alguns eram cães, não lobos; um exemplar da Caverna de Gough, na Inglaterra, ficou comprovado como cão.
  • Equipes da Universidade de Oxford, da Universidade de York e da LMU Munique encontraram cães paleolíticos em pelo menos cinco sítios, sugerindo distribuição ampla na Eurásia há cerca de 14 mil anos e alta semelhança genética entre cães de regiões distintas.
  • Técnicas de captura por hibridização permitiram isolar o DNA canino de contaminantes, reduzindo erros de classificação entre cães e lobos em fósseis muito antigos.
  • A origem dos cães europeus primitivos tende a remontar a uma população de lobos do leste da Eurásia, com domestic­ação possivelmente ocorrendo na Ásia e disseminação posterior, acompanhada de convivência próxima entre cães e humanos.

O estudo de fósseis e DNA antigo reconstituiu a história dos cães domésticos, mostrando que eles surgiram pelo menos 5 mil anos antes do que se pensava. Os trabalhos, publicados na Nature, apontam que cães já existiam há cerca de 15.800 anos na Turquia e na Europa.

Pesquisadores de Oxford, York e LMU Munique lideraram as análises, que usaram técnicas modernas para extrair DNA de ossos bem preservados. A descoberta principal vem da Caverna de Gough, na Inglaterra, onde um osso mostrou-se mais próximo de cão do que de lobo.

Evidências antigas

Casos em Pınarbaşı, na Turquia, alemães, italianos e suíços indicam cães paleolíticos em pelo menos cinco sítios. Pelos menos 14 mil anos, cães já estavam distribuídos pela Eurásia, com pouca variação genética entre eles.

Essa uniformidade sugere dispersão rápida após a domesticação. Os cães teriam sido trocados entre grupos humanos diferentes, como ferramentas e outras inovações. As descobertas apontam para um processo de domesticação único, possivelmente na Ásia.

Métodos e precisão

Estudos usaram captura por hibridização para isolar DNA canino entre DNA de bactérias presentes nos fósseis. Esse método aumentou a precisão ao classificar 141 amostras como cães ou lobos, reduzindo erros comuns em ossos muito antigos.

Um fóssil belga de 13.700 anos, antes visto como cão, foi reclassificado como lobo. Já o exemplar suíço de 14.200 anos confirma um dos cães mais antigos identificados. Esses dados ajudam a traçar a origem dos cães europeus.

Interação homem-cão

Análises químicas indicam que, na Turquia, humanos alimentavam cães com peixe, igual aos hábitos dos próprios humanos. Em outras regiões, dietas eram semelhantes, reforçando convivência próxima entre espécies.

Casos de enterros de filhotes sobre as pernas de humanos em Pınarbaşı sugerem vínculo emocional intenso. Em Gough, há indícios de manipulação pós-morte, semelhantes a rituais humanos da época. Em alguns sítios, cães podem ter sido consumidos após a morte.

Contribuições para a história

Os fósseis mostram cães presentes em contextos de culturas distintas do Paleolítico, como magdaleniana e epigravetiana, além de grupos da Anatólia. O papel inicial dos cães ainda não é claro; podem ter auxiliado na caça, alerta ou cumprido várias funções.

Com a expansão da agricultura na Europa, cerca de 10 mil anos atrás, cães de caçadores-coletores contribuíram para a genética dos cães posteriores. Hoje, muitas raças europeias herdaram metade de sua ancestralidade desses cães pré-históricos.

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