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Césio-137 em Goiânia: como ocorreu o acidente e o destino das vítimas

Ruptura da cápsula de Césio-137 provocou contaminação em Goiânia, com mortes diretas e sequelas a longo prazo, levando a mudanças em normas de segurança

Menina de 6 anos está entre as vítimas diretas do Césio-137
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  • Em setembro de 1987, o acidente com Césio-137 em Goiânia envolveu a manipulação de um equipamento de radioterapia abandonado, que foi aberto e liberou pó radioativo.
  • O material se espalhou por locais manipulados e pelos fragmentos vendidos a depósitos de ferro-velho, com relatos de brilho azul e sintomas como náuseas e vômitos.
  • Vários desdobramentos ocorreram entre 18 e 29 de setembro, incluindo a devolução da cápsula para a Vigilância Sanitária e a confirmação de altos níveis de radiação, o que levou ao isolamento de áreas afetadas.
  • Quatro pessoas morreram diretamente por conta do acidente, entre elas a menina Leide das Neves Ferreira, de 6 anos; outras vítimas incluem Maria Gabriela Ferreira, Israel Batista dos Santos e Admilson Alves de Souza. Vítimas sobreviventes enfrentaram sequelas ao longo dos anos.
  • Os rejeitos foram armazenados no Centro Regional de Ciências Nucleares do Centro-Oeste, em Abadia de Goiás, e o antigo Instituto Goiano de Radioterapia foi demolido, dando lugar ao Centro de Convenções. O episódio contribuiu para fortalecer controles sobre materiais radioativos no Brasil.

O acidente com césio-137 em Goiânia, em 1987, envolve dezenas de pessoas expostas à radiação após um equipamento de radioterapia ser retirado de um prédio abandonado e ter a cápsula violada, liberando o pó brilhante que irradiava locais e pessoas.

Os catadores Wagner Mota Pereira e Roberto Santos Alves abriram o aparelho e retiraram o conteúdo, levando componentes para diversos pontos da cidade. A cápsula ficou exposta, provocando contaminação em áreas onde foram manipulados fragmentos do equipamento.

A contaminação começou em setembro, quando o equipamento foi aberto, e se espalhou para vários locais. O material foi vendido a um ferro-velho, que repassou pedaços a depósitos, ampliando a circulação do pó radioativo.

A esposa de um dos responsáveis, Maria Gabriela Ferreira, suspeitou dos sintomas e levou a cápsula à Vigilância Sanitária, em Goiânia, ainda que fontes oficiais tivessem detectado radiação apenas mais tarde. A confirmação ocorreu no dia 29 de setembro.

O físico Walter Mendes, usando detector apropriado, confirmou os altos níveis de radiação, levando ao isolamento de áreas afetadas. A partir daí, autoridades estaduais e federais organizaram a descontaminação e o monitoramento da população exposta.

Repercussão e desdobramentos

O Estádio Olímpico foi usado como base de triagem, com mais de 100 mil pessoas apalpadas para exames. O Hospital Geral de Goiânia criou uma ala específica para atender radiacidentados. Quatro pessoas morreram em decorrência direta, entre elas a menina Leide das Neves Ferreira, de 6 anos.

Outras vítimas faleceram em outubro, incluindo Maria Gabriela, esposa de Devair Ferreira, e dois trabalhadores do ferro-velho que manipularam o material. Vítimas survived sofreram sequelas a longo prazo, com impactos na saúde pública e emocional de familiares.

Os rejeitos foram enterrados no CRCN-CO, em Abadia de Goiás, onde ficam dezenas de milhares de toneladas de material radioativo. O antigo IGR foi demolido e substituído por estruturas modernas, com intervenções de contenção de radiação.

O acidente expôs falhas na fiscalização de materiais radioativos no Brasil. As normas de controle foram fortalecidas após o episódio, que continua marcado na memória pública e inspirou produções como a série emergente Emergência Radioativa.

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