- Delta do Mekong é uma das regiões mais vulneráveis ao clima, com 18 milhões de pessoas e grandes funções de produção de arroz e aquicultura sob ameaça de salinidade, poluição e subsidência.
- Proposta Nature-Based Mekong Delta Water Replenishment System (MD-GWRS) quer reabastecer aquíferos e elevar o rendimento de água subterrânea de 1,5 milhão para 4 milhões de m³/dia, ao custo de 317 milhões de dólares por ano, com benefício estimado de 450 milhões de dólares por ano.
- O sistema prevê cinco plantas de tratamento que, juntas, fornecem 1,5 milhão de m³/dia de água limpa, usando pré-tratamento, microfiltração, osmose reversa e desinfecção UV; energia éólica necessária de cerca de 50 megawatts por planta.
- Custo de implantação estimado em 3 bilhões de dólares, com água tratada avaliada em 0,58 dólar por m³; benefícios econômicos incluem aumento de safras de arroz e produção de aquicultura, redução de subsídio de salinidade e melhoria de saúde pública.
- Financiamento sugerido combina ajuda oficial ao desenvolvimento (ODA), investimento direto estrangeiro (FDI), parcerias público-privadas (PPP) e doações/grants, além de necessidade de governança robusta e regulação para cobrança de uso de água e monitoramento ambiental.
A Delta do Mekong, no Vietnã, enfrenta vulnerabilidade climática extrema. A região, conhecida como o “cesto de arroz” do Sudeste Asiático, abriga 18 milhões de pessoas e responde por metade da produção de arroz do Vietnã, além de 65% da aquicultura. Desafios como elevação do nível do mar, poluição, salinização e subsidência avançam, com apenas 20% do efluente tratado e mais de 60% dos moradores rurais sem água e saneamento seguros.
Foi proposta a solução MD-GWRS, um Sistema de Reposição de Água do Delta do Mekong baseado na natureza. A ideia é usar características naturais aliado a tecnologias globais para aumentar a vazão de água subterrânea em 1,5 milhão de m³/d, chegando a 4 milhões de m³/d, com custo anual estimado de US$ 317 milhões e benefício potencial de até US$ 450 milhões/ano pela elevação da produção agrícola e aquícola.
A proposta prevê cinco usinas que, juntas, gerariam água limpa suficiente para 1,5 milhão de m³/d. O projeto utiliza etapas de tratamento avançado — pré-tratamento, microfiltração, osmose reversa e desinfecção UV — e busca recarregar aquíferos, reduzir a salinidade e assegurar suprimento confiável de água. O custo total estimado é de US$ 3 bilhões para as cinco plantas.
Desafios e contexto
O Delta enfrenta contaminação de água superficial, salinização de aquíferos em 1,7 milhão de hectares e subsidência de terreno de até 5,7 cm/ano. A elevação do nível do mar oscila entre 2,2 e 13,5 mm/ano, agravando crises de seca e reduzindo cheias sazonais. O Master Plan (2021-2030, até 2050) busca universalizar água potável urbana e ampliar o saneamento rural, mas o avanço permanece lento.
Detalhes técnicos
Cada planta demanda cerca de 50 MW de energia eólica para atender ao consumo diário de 353,7 MWh. O plano sugere dez turbinas de 5 MW ao longo da costa leste do Delta, aproveitando ventos médios de 6-7,5 m/s. O custo de capital estimado é de US$ 63,75 milhões, com custo nivelado de energia de US$ 0,031/kWh, abaixo da tarifa industrial local.
Mecanismo de recarga e eficiência
A presença de falhas geológicas sob o delta permite injetar água em múltiplos aquíferos com menos poços do que métodos tradicionais. A estratégia, ainda a ser testada, pode trazer benefícios como recarga multiquíferas, economia de custos, distribuição eficiente da água e menor impacto ambiental, com potencial de escalabilidade.
Energia e sincronização
A operação das turbinas eólicas seria ajustada aos períodos de maré baixa e aos picos de vento (12h-16h), potencializando a geração de energia e a captura de água. Isso visa manter padrões de qualidade de água adequados com custos operacionais mais baixos.
Estrutura institucional e financiamento
A implementação exigiria nova governança, com regulamentação sobre extração de água e tarifas para cobrir custos. Uma agência específica supervisionaria operações, com monitoramento contínuo para evitar contaminação ou superexploração. O financiamento seria misto: ODA, investimentos estrangeiros diretos, parcerias público-privadas, contribuições de fundações e doações de ONGs.
Benefícios econômicos e sociais
A capacidade de fornecer água limpa pode alavancar a produção agrícola do Delta, que responde por metade do arroz e 65% da aquicultura do Vietnã. Espera-se que a redução de salinidade e a melhoria na qualidade da água elevem safras de arroz e a produção aquícola, gerando ganhos significativos e redução de custos com saúde pública e manutenção de infraestrutura.
Caminho à frente
O MD-GWRS está alinhado ao plano mestre do Delta para gestão sustentável da água, com foco em segurança hídrica, controle de poluição e ampliação do acesso a água potável. A mobilização de financiamento, incluindo ODA, investimento privado e doações, é apresentada como essencial para avançar o projeto e mitigar pontos de ruptura climática na região.
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