- Noelia Castillo concedeu uma entrevista ao programa Y ahora Sonsoles na Antena 3 poucas horas antes de receber a eutanásia, o que gerou reação nas redes sociais.
- Circulam publicações que alegam agressão sexual cometida por menores não acompanhados, mas documentos médicos e administrativos não registram esse episódio nos centros em que ela ficou entre 2015 e 2019.
- A solicitação de eutanásia foi aprovada com base nas consequências físicas da paraplegia e no sofrimento associado, não por depressão.
- Relatórios psiquiátricos indicam depressão crônica e transtorno de adaptação com ansiedade, porém descartam transtorno depressivo maior que comprometa a capacidade de decisão; há diagnóstico de transtorno obsessivo-compulsivo e transtorno de personalidade borderline.
- A Comissão de Garantia e Avaliação da Catalunha autorizou o procedimento em 18 de julho de 2024, e decisões judiciais posteriores confirmaram a legalidade e a capacidade de Noelia de agir de forma autônoma.
Noelia Castillo, jovem paralisada após uma tentativa de suicídio em 2022, concedeu uma entrevista ao programa Y ahora Sonsoles, da Antena 3, poucas horas antes de realizar a eutanásia assistida. A divulgação das declarações gerou reação nas redes, com mensagens de apoio e de oposição, além de interpretações contestadas pela documentação médica e administrativa do caso.
Segundo os registros médicos e administrativos, não há evidências de abusos sexuais em centros onde a jovem permaneceu entre 2015 e 2019, conforme apurado pela Diretoria-Geral de Proteção à Infância e Adolescentes da Generalitat. A defesa pública de que houve agressões em albergues não encontra respaldo nesses documentos.
Alegações de que esta seria a primeira eutanásia concedida na Espanha por depressão foram desmentidas pela documentação clínica, que aponta dependência física devido à paraplegia e sofrimento associado como base para a decisão. Relatórios psiquiátricos indicam depressão crônica e transtornos de ansiedade, sem apontar transtorno depressivo maior que comprometesse a capacidade decisória.
Eutanásia, capacidade e decisões judiciais
A Comissão de Garantia e Avaliação da Catalunha autorizou o procedimento em 18 de julho de 2024, após concluir que a condição clínica era irreversível, com dependência severa e dor. Decisões judiciais subsequentes reconheceram a legalidade da decisão e a capacidade de Noelia de agir autonomamente.
No prontuário, a lesão medular em nível L3 provocou paraplegia com dor neuropática, incontinência e necessidade de catheterização periódica, além de mobilidade limitada. A internação inicial ocorreu no Hospital Joan XXIII, em Tarragona, e depois na Clínica Guttmann, com reabilitação neurofuncional até junho de 2023. Depois disso, foi apresentada a solicitação de eutanásia assistida.
As autoridades enfatizam que o sofrimento foi considerado persistente e incompatível com recuperação funcional significativa, justificando a autorização conforme a legislação vigente. A defesa legal aponta que a jovem compreendeu as implicações da decisão e manteve autonomia para agir.
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