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Cascos de tartaruga revelam a história do oceano

Casco das tartarugas guarda sinais químicos do ambiente; maré vermelha de 2017–2019 correlaciona com menor crescimento da queratina dos escudos

Fotografia de várias tartarugas.
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  • Cascos de tartarugas registram sinais químicos que indicam dieta e ambiente ao longo da vida.
  • As tartarugas marinhas percorrem grandes migrações, chegando a até treze mil quilômetros entre áreas de alimentação e reprodução.
  • A expectativa de vida na natureza varia por espécie, chegando a cerca de sessenta anos para a Caretta caretta e mais de noventa para a tartaruga-de-couro.
  • Em vinte e quatro tartarugas analisadas, de Caretta caretta e Chelonia mydas, amostras de escamas foram cortadas em blocos de cinquenta micrômetros para datação por radiocarbono.
  • Cada camada equivale a sete a nove meses de crescimento; entre dois mil e dezessete e dois mil e dezenove ocorreu a maré vermelha na Flórida, que afetou alimento e ambiente, refletindo no desenvolvimento da queratina das placas.

Ocaso de dados ambientais pode estar inscrito no casco de tartarugas marinhas. Pesquisadores mostraram que as placas de queratina registram o ambiente e a dieta ao longo da vida dessas espécies. O estudo analisa casos de 24 tartarugas comuns e verdes.

As tartarugas migratórias percorrem milhares de quilômetros entre áreas de alimentação e reprodução, com trajetos que podem chegar a quase 13 mil km. A pesquisa lança luz sobre como o ambiente influencia seu crescimento ao longo dos anos.

O estudo, liderado por Bethan Linscott, da Universidade da Flórida, foi publicado em janeiro na revista Marine Biology. Amostras de escamas de tartarugas encalhadas na costa da Flórida foram utilizadas para entender o registro químico de cada camada.

Metodologia e achados

Cachos de escamas foram cortados em finas camadas de até 50 micrômetros, cada uma datada por radiocarbono. A técnica usa o registro de radiação nuclear para estimar a idade de cada camada, equivalente a 7-9 meses de crescimento.

A evidência mostra que marcadores químicos refletem mudanças ecológicas, como estressores do oceano. O estudo compara padrões de crescimento entre espécies Caretta caretta e Chelonia mydas, abrindo caminho para novas estratégias de proteção.

Entre 2017 e 2019, as águas da Flórida viveram a maré vermelha, com proliferação de microalgas tóxicas. O fenômeno alterou a disponibilidade de ervas-marinhas, prejudicando o alimento e o desenvolvimento da queratina nas placas.

Os resultados indicam que eventos ambientais podem deixar traços duradouros no casco das tartarugas. A leitura das camadas oferece uma ferramenta adicional para entender impactos climáticos e orientar medidas de conservação.

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