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Lince mergulha presas na água antes de comer, cientistas investigam

Lince-ibérico mergulha presas na água em comportamento inédito; estudo aponta aprendizado social e possível vantagem hídrica para a conservação

Fotografia de um felino dando banho em uma das suas presas antes de comê-la.
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  • Fêmeas de lince-ibérico foram flagradas mergulhando suas presas na água antes de comer, em Montes de Toledo, centro da Espanha, entre 2020 e 2024.
  • Ao todo, há oito registros envolvendo cinco fêmeas e cinco bebedouros, com quatro episódios registrados diretamente pelas câmeras.
  • Pesquisadores levantam a hipótese de aprendizado social (cultura animal) transmitida entre fêmeas vizinhas ou aparentadas.
  • Um experimento com carcaças mostrou que a imersão pode fazer a presa absorver água, o que ajudaria a transportar um pouco de umidade, embora a função ainda não seja comprovada.
  • A descoberta ocorre no contexto da conservação do lince-ibérico, cuja população na natureza chegou a dois mil e quatrocentos e um indivíduos em 2024.

Um grupo de pesquisadores registrou um comportamento inédito em carnívoros selvagens no centro da Espanha. Fêmeas de lince-ibérico mergulham suas presas na água antes de comê-las, em ocorrências captadas por armadilhas fotográficas.

As imagens foram obtidas na região de Montes de Toledo. Em 2024, uma fêmea carregou um coelho recém-capturado até um bebedouro e mergulhou a presa na água por alguns segundos, retornando encharcada. O comportamento foi repetido em registros posteriores.

A descoberta foi publicada na revista Ecology e levanta questões sobre aprendizado, adaptação e possíveis tradições culturais entre linces. Pesquisadores veem potencial aprendizado social entre fêmeas aparentadas.

Descoberta e padrões

Até o momento, há oito registros envolvendo cinco fêmeas e cinco bebedouros na mesma região. Em quatro episódios, a imersão foi observada diretamente; nos demais, deduzida a partir das imagens. Todas as ocorrências envolveram fêmeas.

Três casos remontam a Naia, primeira observação em agosto de 2020, quando levou um coelho a um bebedouro. Luna voltou a aparecer em 2023, com comportamento similar. O conjunto sugere possível transmissão entre indivíduos.

Hipóteses em estudo

Entre as hipóteses está a explicação utilitária: a imersão pode hidratar a presa para levar umidade junto ao alimento durante o transporte. Experimentos com carcaças mostraram que a presa absorve água, especialmente quando mantida na sombra.

Outra hipótese considera cuidado materno: filhotes em transição da fase de leite para carne podem favorecer presa úmida. Também existe a possibilidade de inovação individual que se disseminou entre fêmeas de territórios próximos.

Implicações para conservação

O lince-ibérico vive majoritariamente solitário, mas fêmeas próximas ou aparentadas convivem em áreas vizinhas. O estudo, porém, não determina função específica do comportamento. Pesquisas indicam que padrões como esse podem influenciar estratégias de sobrevivência.

A pesquisa reforça o valor de monitoramento contínuo por câmeras e de longos períodos de observação. A espécie, antes considerada em risco extremo, teve recuperação suprimida por programas de conservação e reprodução em cativeiro.

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