- Os rios Klamath e Colorado foram reconhecidos como seres vivos com os mesmos direitos legais que pessoas, em 2019 e 2025, respectivamente, segundo leis locais.
- O reconhecimento reflete o aumento de visões indígenas na gestão da água e do vinho, incluindo vinícolas de propriedade Māori na Nova Zelândia.
- A discussão sobre água domina o tema do vinho mundial, com 83% das áreas sob vinhedos irrigadas no Novo Mundo e 10% no Velho Mundo.
- A seca tradicional, ou dry farming, é apresentada como prática antiga que pode favorecer vinhos de qualidade em cenários de mudança climática, com exemplos de produtores que defendem a técnica.
- A tensão gira em torno de quem deve decidir sobre irrigação em regiões de alto valor, como nos terroirs europeus, onde a irrigação é restrita ou considerada tabu em várias denominações.
A relação entre água e vinho ganha novo peso globalmente. Dois rios da Califórnia, Klamath e Colorado, foram reconhecidos legalmente como seres vivos com direitos iguais aos das pessoas, em 2019 e 2025, sob leis indígenas locais. A medida sublinha uma visão tradicional de respeito à terra e aos ecossistemas.
A tendência se estende para além dos EUA. Em Aotearoa, Nova Zelândia, várias vinícolas de propriedade maori, como te Pā, Tiki e Kuru Kuru, estão ganhando espaço. O conceito de “pessoa jurídica” para recursos naturais resume a ideia de conservar o ambiente.
A água domina a conversa global sobre vinificação. Um estudo divulgado em 2019, encomendado pela ONU, concluiu que irrigação com água doce em vinhedos de luxo não é viável a longo prazo, especialmente em cenários de mudança climática.
No Novo Mundo, 83% da área plantada de videiras é irrigada; no Velho Mundo, esse índice fica em torno de 10%. Quando a irrigação é usada, ela representa grande parte da pegada hídrica de uma vinícola, apontam dados citados no material.
A prática de irrigação é contestada por quem defende métodos tradicionais. A técnica de dry farming, ou cultivo sem irrigações, é citada como forma de conservar água, fortalecer raízes e melhorar a qualidade das uvas.
Especialistas opinam que a dry farming cria vinhos mais concentrados e terroir-driven, desde que aplicada com técnicas adequadas. No Napa Valley, consultores reforçam que a prática pode renovar a resiliência das vinhas diante da seca.
Empresas e produtores com visão histórica também comentam sobre práticas. Um líder de Taylor’s Port sustenta que a irrigação pode diluir a qualidade de vinhos concentrados produzidos no Douro, mantendo o foco em técnicas tradicionais.
Já o fundador de Deep Roots Coalition, em Oregon, questiona a lógica de irrigação: a decisão parece visar retorno financeiro em vez de qualidade, segundo ele. Pesquisadores locais ressaltam a importância de preservar o caráter das plantas.
Apoio à dry farming vem de quem trabalha com vinhedos históricos. Em Napa, o proprietário de Frog’s Leap defende a prática pela qualidade da uva, pela saúde das vinhas e pela tradição da região.
O dilema da gestão hídrica
Questiona-se, então, quem decide quais vinhedos devem permanecer sem irrigação. A história recente mostra que regulações de irrigação moldaram terroirs europeus, com restrições para proteger qualidade e rendimentos.
Ao aliviar restrições de irrigação em partes da Europa, surge a dúvida: adaptar a agricultura ao uso da terra ou adaptar a terra à prática agrícola? O debate continua entre preservação ecológica e produtividade.
Exemplos de referência
Um vinho de referência, Cameron Dundee Hills Chardonnay 2023, produzido no Willamette Valley, Oregon, com uvas dry-grown e cultivo orgânico, recebeu 94 pontos e preço de 49,95 libras em avaliação externa. O perfil é descrito como limpo, com fruta de pêssego e notas minerais.
A reportagem destaca que o caso de Dry Farming envolve escolhas entre tradição, qualidade e sustentabilidade, refletindo o debate contemporâneo sobre uso da água na Xilografia Vitivinícola. As implicações vão além de uma única rótulo.
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