- O plasma rico em plaquetas (PRP) é obtido a partir do sangue do próprio paciente e contém plaquetas e fatores de crescimento que modulam a inflamação, podendo aliviar dor articular em casos selecionados.
- Regulatório: a Anvisa não aprova indicações clínicas específicas; a orientação sobre o uso cabe ao Conselho Federal de Medicina, que revisa a normativa de 2015 que classificava o PRP como procedimento experimental.
- Evidências clínicas sugerem benefícios em fases iniciais da artrose do joelho, com resultados semelhantes ou superiores ao ácido hialurônico na redução da dor e na função articular, por meio da modulação inflamatória.
- Segurança e custos: o PRP apresenta baixo risco por usar sangue do próprio paciente, mas requer equipamentos adequados e profissionais capacitados; complicações podem ocorrer sem estrutura adequada.
- O PRP deve integrar, e não substituir, o tratamento clínico e a fisioterapia, com indicação individualizada e informações confiáveis, sob supervisão de profissionais habilitados.
O plasma rico em plaquetas (PRP) é uma opção terapêutica que utiliza o próprio sangue do paciente para, via concentração de plaquetas e fatores de crescimento, modular a inflamação nas articulações. O objetivo é aliviar a dor e melhorar a função, dentro de avaliação individualizada.
A prática envolve coleta, processamento e aplicação do material, seguindo normas de segurança. A indicação clínica depende do quadro do paciente e das evidências disponíveis, sem ser considerada uma terapia padrão para todos os casos.
O PRP vem sendo estudado como complemento a tratamentos convencionais, não como substituto de fisioterapia, controle de peso ou manejo médico contínuo. A decisão de usar o PRP precisa considerar grau da doença e perfil clínico.
Regulação e debate científico
Do ponto de vista regulatório, o PRP não é classificado como medicamento tradicional. A Anvisa regula a coleta, preparo e manuseio do material, mas não fixa indicações clínicas. O CFM é quem orienta a prática na ortopedia, revisando, atualmente, a normativa de 2015 que tratava o PRP como experimental.
Nos últimos anos, há avanços no debate entre profissionais. Pesquisas recentes buscam delimitar indicações seguras e com benefício comprovado ao paciente. A expectativa é de diretrizes mais claras sobre quando e como o PRP pode ser utilizado.
O que mostram os estudos clínicos
Dados clínicos indicam que, em pacientes selecionados, especialmente em estágios iniciais da osteoartrite do joelho, o PRP pode oferecer alívio da dor e melhoria da função, às vezes igualando ou superando o ácido hialurônico. O efeito tende a ser mais duradouro quando bem indicado.
A eficácia depende do grau da doença, do perfil do paciente e do método de preparo do PRP. Não há resposta única para todos os casos, o que reforça a necessidade de avaliação individualizada pelo médico.
Segurança, custo e expectativas
O PRP é considerado de baixo risco, já que utiliza o sangue do próprio paciente, reduzindo rejeição. Contudo, a segurança depende de coleta, preparo e aplicação adequados. Falhas técnicas ou ambiente sem estrutura podem provocar dor ou infecção.
O custo envolve equipamentos especializados, como centrífugas e sistemas de coleta fechados, além de insumos para garantir qualidade. A concentração de plaquetas varia conforme o protocolo, influenciando os resultados.
Assim como outras infiltrações, o PRP não é tratamento milagroso. Pode trazer benefícios em indicações bem definidas, mas não substitui fisioterapia, musculação, controle de peso e acompanhamento médico.
Por fim, pacientes devem receber informações claras, reconhecer o debate científico em andamento e buscar profissionais habilitados e serviços regularizados. O uso responsável depende de boa indicação, técnica adequada e expectativas realistas sobre resultados.
Texto adaptado com base no material do médico ortopedista Camila Cohen Kaleka (CRM/SP 127.292 | RQE 57.765).
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