- Em 8 de julho de 2023, no Caribe, houve o nascimento de um filhote de cachalote registrado pela equipe do Projeto CETI com áudio e vídeo.
- O grupo conhecido como Unidade A, de 11 baleias, envolveu-se ativamente: várias fêmeas ergueram o filhote à superfície e o cordão umbilical foi cortado; o parto começou às 11h12 e terminou às 11h45.
- O nascimento ocorreu com apoio de baleias não aparentadas, incluindo uma jovem chamada Ariel, mostrando cooperação entre membros do grupo.
- Durante o trabalho de parto, as baleias produziram mais de 31 mil cliques ao longo de cerca de quatro horas; codas associadas a laços sociais foram observadas.
- O registro, publicado em Science e Scientific Reports, é considerado um dos primeiros a documentar o nascimento de uma baleia-cachalote com dados de áudio e vídeo combinados, destacando a natureza coletiva desse evento social.
O que aconteceu: um nascimento de cachalote foi registrado em alto-mar, no Caribe, em 8 de julho de 2023, por a equipe do Projeto CETI. A cena mostrou a cabeça do filhote surgindo, seguida pela mãe e por outras baleias do grupo.
Quem está envolvido: a observação foi feita por Shane Gero, biólogo marinho do CETI, em parceria com mais de 50 cientistas de oito disciplinas. A equipe utilizou drones, áudio e vídeo para documentar o nascimento.
Quando e onde: o nascimento ocorreu no Caribe, próximo à Comunidade da Dominica, durante uma expedição de campo do CETI. As gravações foram coletadas ao longo de um intervalo de 11h12 a 11h45, horário local.
Por que aconteceu: o estudo visa compreender a comunicação e as dinâmicas sociais das baleias-cachalote, ampliando informações sobre cooperação e relações familiares em cetáceos. A observação também agrega dados sobre comportamento social humano.
Registro audiovisual e sonoro
As gravações indicam que a mãe Rounder deu à luz na superfície, enquanto outras baleias da Unidade A acompanharam o parto. Quase instantes após o nascimento, o filhote foi erguido à superfície por várias baleias, com o cordão umbilical ainda preso em alguns segundos.
Durante o parto, quatro fêmeas assumiram papéis centrais na assistência ao filhote, com uma baleia não parental chamada Ariel participando ativamente. O grupo registrou 31.364 cliques acústicos ao longo de mais de quatro horas, com padrões de codas variando antes, durante e após o nascimento.
Encadeamento e impacto social
A dinâmica mostrou que o nascimento não envolveu apenas mãe e filhote. O episódio revelou cooperação entre fêmeas, inclusive entre indivíduos sem parentesco, para erguer o filhote e facilitar sua primeira respiração.
Os pesquisadores destacam que a documentação combinada de áudio, vídeo e dados de relações sociais é inédita para a espécie, representando um avanço na compreensão de como cachalotes comunicam-se e coordenam ações em situações críticas.
Relevância científica
A equipe do CETI, com atuação multidisciplinar, publicou dois artigos sobre o evento: um na Science com análises de imagens de drones e aprendizado de máquina; outro na Scientific Reports com relato minute a minuto das etapas do nascimento. O conjunto de dados soma décadas de observações de relacionamentos entre baleias.
Especialistas reconhecem a relevância do caso para entender a complexidade da comunicação entre cachalotes e o papel do grupo no cuidado com o recém-nascido. O estudo aponta que o nascimento na natureza é raro e altamente informativo para a biologia marinha.
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