- Estudo da Universidade do Texas em El Paso, publicado na revista iScience (2025), utilizou moscas da fruta para analisar o efeito da cafeína no comportamento.
- Foram avaliadas três variáveis: horário de consumo, dose administrada e influência da privação de sono.
- Tomar cafeína à noite aumentou a impulsividade e reduziu o autocontrole nas moscas, com efeito menos intenso durante o dia.
- As fêmeas apresentaram respostas mais fortes de impulsividade à cafeína noturna, mesmo com níveis semelhantes de cafeína no organismo.
- As descobertas sugerem impactos potenciais na vida real para pessoas que bebem cafeína à noite, especialmente trabalhadores noturnos, embora o estudo tenha utilizado animais e precise de confirmação em humanos.
O café noturno pode alterar o comportamento, segundo um estudo recente. Pesquisadores da Universidade do Texas em El Paso analisaram o efeito da cafeína no autocontrole e na impulsividade, com foco especial nas mulheres. O estudo foi publicado na revista iScience (2025) e liderado por Erick Saldes.
A pesquisa utilizou moscas-das-frutas (Drosophila melanogaster) para entender mecanismos neurológicos relevantes para humanos. Foram avaliadas três variáveis: horário de consumo, dose de cafeína e privação de sono.
Os resultados indicam que ingerir cafeína à noite aumenta comportamentos impulsivos e dificulta interromper ações, mesmo sob estímulos adversos. Já o consumo diurno não apresentou o mesmo impacto.
Metodologia
Os cientistas expuseram as moscas a cafeína em diferentes momentos do dia, monitorando variáveis de impulso e controle motor. A comparação entre horários permitiu observar a influência do ritmo biológico no efeito da substância.
A dose administrada foi variada, e a privação de sono foi considerada para entender se a privação amplifica ou modera as respostas comportamentais. O estudo manteve controles rigorosos para isolar os efeitos da cafeína.
A pesquisa, ainda que baseada em um modelo animal, aponta mecanismos cerebrais ligados a tomada de decisão, controle de impulsos e resposta a situações de risco, relevantes para compreender comportamentos humanos.
Resultados principais
Os dados mostraram aumento significativo de impulsividade quando a cafeína foi consumida à noite. As moscas tiveram mais dificuldade em parar ações diante de estímulos negativos, indicando menor autocontrole.
Quando a cafeína foi ingerida durante o dia, esse efeito foi menos intenso, sugerindo uma relação entre o ritmo circadiano e a resposta à substância.
Além disso, houve alteração na motor e na tomada de decisão, com maior dificuldade de inibir movimentos diante de cenários de risco. Esses resultados apontam vias neurais associadas ao comportamento.
Diferenças entre sexos e implicações
O estudo encontrou diferenças entre machos e fêmeas. Apesar de concentrações de cafeína semelhantes, as fêmeas apresentaram respostas mais intensas em termos de impulsividade, indicando sensibilidade diferente entre os sexos.
Especialistas destacam que fatores genéticos e fisiológicos podem influenciar essa sensibilidade, além de hormônios. A pesquisa abre caminho para investigar efeitos em humanos com rotinas noturnas.
Possíveis impactos na vida real
Os autores sugerem cautela para trabalhadores noturnos, profissionais da saúde em plantões e equipes de emergência que consumem cafeína à noite com frequência. Indivíduos com sono irregular podem apresentar maior risco de impulsividade.
Embora o estudo tenha sido realizado em moscas, ele propõe hipóteses sobre como o relógio biológico pode modular respostas a cafeína em humanos. A pesquisa reforça a importância de considerar o horário de consumo.
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