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Caatinga: mudas podem ser produzidas usando água salobra

Caatinga: mudas produzidas com água salobra ganham maior resistência à seca, salinidade e altas temperaturas, ampliando uso de águas residuais em viveiros

Todas as espécies estudadas são nativas da Caatinga e adaptadas às condições extremas do bioma, desempenhando papel estratégico na recuperação de solos degradados. Na imagem, floração de Angico no Semiárido
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  • A Embrapa Semiárido apresenta produção de mudas de espécies nativas da Caatinga por biossalina, usando água salobra sem comprometer o desenvolvimento das plantas.
  • Experimentos indicam que as mudas ficam mais resistentes a seca, salinidade e altas temperaturas quando irrigadas com águas salobras.
  • Espécies como angico-de-caroço, catingueira-verdadeira, mulungu e pereiro mostraram tolerância à salinidade, mantendo germinação e crescimento mesmo com condutividade elétrica superior a 12 dS/m.
  • Outras plantas, como aroeira-do-sertão, apresentaram menor resistência, o que pode limitar seu uso em solos mais salinos.
  • A biossalina pode abrir oportunidades de reflorestamento no semiárido, com reúso de águas residuárias e potencial comercial de mudas e sementes, segundo a Embrapa.

A Embrapa Semiário, baseada no PE, demonstra como produzir mudas de espécies nativas da Caatinga por meio da biossalina, com irrigação por águas salobras sem comprometer o desenvolvimento das plantas. A técnica foca em viveiros florestais para restauração ambiental.

Estudos indicam que a produção biossalina estimula mudas mais resistentes a seca, salinidade e altas temperaturas. Em áreas do semiárido, onde 70% das fontes subterrâneas são salinas, a prática transforma águas problemáticas em recurso produtivo.

A pesquisadora Bárbara França Dantas explica que o uso de água salobra na fase de viveiro é seguro, desde que a aplicação ocorra apenas no substrato, antes do transplante para o campo. O objetivo é evitar riscos à saúde e à salinização do solo.

Entre as espécies estudadas, angico-de-caroço, catingueira-verdadeira, mulungu e pereiro apresentaram alta tolerância à salinidade, com boa germinação e crescimento inicial mesmo com condutividade elétrica superior a 12 dS/m.

Aroeira-do-sertão mostrou menor resistência, o que pode limitar seu uso em solos mais salinos. A condutividade elétrica, junto com a concentração de sais, é o principal indicador do manejo da água e do substrato nos viveiros biossalina.

Especialistas definiram limites de tolerância à salinidade por espécie, gerando informações técnicas para viveiristas. Esses dados orientam irrigação, escolha de substratos e aclimatação de mudas para reflorestamento.

As águas salobras ficam abaixo de 30 mg de sais por litro; acima disso já entram como salinas. Sais como cloretos, carbonatos e sulfatos influenciam a viabilidade agrícola e ambiental.

A produção biossalina pode elevar taxas de sobrevivência das mudas após o plantio, ao estimular mecanismos fisiológicos de tolerância. A prática também propicia o reúso de águas residuárias em viveiros, com aproveitamento de nutrientes.

A Embrapa publicou recomendações técnicas para orientar viveiristas e produtores, com orientação sobre espécies, manejo da irrigação, substratos e aclimatação, disponível em documento técnico da instituição.

A iniciativa visa reflorestar o semiárido com espécies nativas da Caatinga, fortalecendo a restauração de solos degradados, a formação de corredores ecológicos e a sustentabilidade econômica de comunidades locais.

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