- Cientista Rossana Soletti lança o livro A Ciência da Gestação para aproximar a gravidez da ciência, indo além do embrião.
- O livro amplia o foco para o ar que a gestante respira, o estresse, o suporte social e a presença do genitor no desenvolvimento da gestação.
- A obra critica a ciência com foco masculino e a prioridade ao bebê, defendendo maior participação das mulheres na pesquisa e a participação do pai.
- Destaca o excesso de produção científica recente, a dificuldade de filtrar evidências e os problemas na aplicação prática de estudos.
- A mensagem central é que a gestante deve buscar informação baseada em evidências para se preparar para gestação e maternidade, considerando influências sociais e ambientais.
Rossana Soletti, pesquisadora e divulgadora científica, lança o livro A Ciência da Gestação para aproximar a pesquisa da experiência da gestação. A obra reúne reflexões sobre saúde da mulher, ambiente, suporte social e o papel do genitor. A publicação (Editora Zahar) chega após anos de atuação na divulgação.
A cientista, de 44 anos, é farmacêuta bioquímica e doutora em Ciências Morfológicas. Ela atuou como docente de embriologia e, ao engravidar, percebeu a distância entre o conhecimento científico e a vivência das gestantes. A partir dessa percepção, criou conteúdos voltados para o público em geral com embasamento científico.
O livro expande o foco da gravidez além do útero, incluindo o ar que a gestante respira, o estresse, o suporte social e o contexto da família. Soletti destaca que a ciência, historicamente masculina, precisa considerar a saúde da mulher e a participação do pai no acompanhamento da gestação.
Em entrevista à CRESCER, a pesquisadora discute lacunas históricas da pesquisa em gestação, o excesso de informações que pode confundir e o desafio de aplicar evidências de forma adequada na prática clínica. Ela defende maior diversidade na ciência para evitar vieses.
Segundo Soletti, a maternidade costuma afastar mulheres de pesquisas e mercados de trabalho, especialmente na academia, onde a produtividade é o principal critério de avaliação. Ela aponta que esse cenário reduz temas relevantes para as mulheres na ciência.
A autora também ressalta que, no Brasil, há falhas na aplicação de diretrizes médicas, mesmo com fluxos de atendimento conhecidos. O livro investiga por que estudos sobre reprodução priorizam o bebê em detrimento da saúde da mulher.
Ela comenta ainda sobre o aumento recente da produção científica, que pode gerar excesso de informações. A pesquisadora alerta para a importância de filtrar estudos e evitar conclusões com base em apenas um artigo.
Para Soletti, a gestação é influenciada por fatores sociais e ambientais. Ela enfatiza que é essencial que as gestantes tenham acesso a informações confiáveis e atualizadas para tomada de decisões durante o período gestacional.
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