- Estudo da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP com camundongos mostra que o etanol altera a microbiota intestinal, variando conforme sexo e padrão de consumo.
- Foram usados diferentes protocolos de ingestão: consumo crônico, binge drinking e combinação crônico com episódio agudo, avaliando diversidade alfa e beta e abundância bacteriana.
- Machos submetidos a crônico mais binge apresentaram disbiose mais acentuada; fêmeas com crônico isolado mostraram maior impacto na microbiota.
- Bactérias como Faecalibaculum, Lachnospiraceae e Alistipes aparecem como potenciais biomarcadores de disbiose associada ao álcool.
- Conclusão: alterações na microbiota podem preceder sintomas e contribuir para doenças por inflamação e lesão vascular; próximos passos investigam substâncias bacterianas na circulação, como o fMLP.
O consumo de etanol altera a composição de bactérias no intestino de camundongos, variando conforme sexo e padrão de ingestão. Estudo da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, USP, aponta redução da diversidade microbiana em ambos os sexos, com efeitos distintos entre eles.
A pesquisa avaliou consumo crônico, binge drinking e a combinação de ambos, coletou fezes e realizou sequenciamento do DNA bacteriano para identificar grupos presentes e mudanças na diversidade. Os dados foram analisados com ferramentas de microbioma.
O trabalho buscou entender como disbiose associada ao álcool pode impactar o organismo, incluindo vias inflamatórias e possíveis ligações com danos vasculares. A pesquisadora principal destaca diferenças entre machos e fêmeas e a possível relação com doenças cardíacas.
Metodologia e principais achados
Em machos, a combinação crônica mais um episódio de binge mostrou disbiose mais intensa, com diminuição da diversidade bacteriana. Nas fêmeas, o efeito mais acentuado ocorreu com o consumo crônico isolado.
Bactérias como Faecalibaculum, Lachnospiraceae e Alistipes surgem como potenciais biomarcadores de disbiose associada ao etanol, indicando possível participação em vias inflamatórias e metabólicas.
Implicações e próximos passos
Os resultados sugerem que alterações na microbiota podem preceder sintomas clínicos e favorecer a progressão de doenças por meio de inflamação sistêmica e translocação de metabólitos. A equipe planeja investigar a liberação de substâncias bacterianas na corrente sanguínea, como o fMLP.
A pesquisadora Carla Brigagão Pacheco da Silva ressalta a importância de entender o elo entre microbiota, inflamação e lesão vascular induzida pelo álcool, para embasar estratégias preventivas.
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