- Armazenamento geológico de CO₂ é considerado uma das principais estratégias para descarbonizar setores difíceis, como cimento, aço e parte da energia.
- A pesquisadora Mariana Ciotta afirma que essa prática passa a ter papel central na transição energética e nas soluções mais amplas de descarbonização.
- Dois estudos recentes apontam que a geologia é elemento estruturante para a viabilidade e a segurança do armazenamento: um sobre hubs offshore na Bacia de Santos e outro com protocolo de modelagem integrada.
- As formações podem ser aquiferos salinos, com grande capacidade de armazenamento, e rochas basálticas, com potencial de mineralização do CO₂; o desafio é ampliar a escala e reduzir incertezas.
- O Brasil tem condições favoráveis, com bacias sedimentares extensas, base de bioenergia e experiência industrial, mas depende de um ambiente institucional regulatório adequado para implementação em escala.
O armazenamento geológico de CO2 é apontado como uma das principais estratégias para viabilizar a descarbonização, sobretudo em setores com redução de emissões complexa, como cimento, aço e parte da indústria energética. A pesquisadora Mariana Ciotta, da USP, destaca que esse tipo de armazenamento passa a ter papel decisivo na transição energética brasileira.
Ciotta integra um grupo de cerca de 20 pesquisadores da USP que atuam em cadeia completa, desde captura até armazenamento, em parceria com empresas do setor. O objetivo é ampliar a participação da geologia na configuração de soluções para a transição energética, não apenas como diagnóstico, mas como componente ativo de projetos estratégicos.
Estudos sobre armazenamento offshore
Dois estudos recentes tratam do tema: um analisa custos e viabilidade de hubs de armazenamento offshore na Bacia de Santos; o outro propõe um protocolo integrado de modelagem para avaliação de projetos. Segundo a pesquisadora, a geologia aparece como elemento estruturante da análise.
Ela explica que a aplicação do protocolo na Bacia de Santos indica que a qualidade do sistema geológico é condição necessária. Além disso, é preciso associar avaliação integrada para que o projeto seja viável, assegurando segurança no armazenamento de CO2.
Formas e condições de armazenamento
Entre as formas de armazenamento, destacam-se aquíferos salinos, com grande capacidade regional, e formações basálticas, valorizadas pela potencial mineralização do CO2. A pesquisadora ressalta que a viabilidade técnica já é estabelecida, mas o desafio atual é ampliar escala, reduzir incertezas e integrar as soluções às estratégias climáticas e industriais.
Potencial brasileiro e cenário institucional
O Brasil possui bacias sedimentares extensas, tanto na terra firme quanto offshore, com formações compatíveis para armazenamento de CO2. A produção de bioenergia, especialmente etanol, e a experiência industrial ajudam a construir um ambiente propício para avanços nessa área.
Ciotta reforça que o avanço depende de um ambiente institucional adequado, com regulamentação, definição de responsabilidades e mecanismos que viabilizem a implementação em escala. O conjunto de elementos sugere um potencial significativo para atuação do Brasil em estratégias de emissões negativas.
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