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Na Indonésia, vinhas costeiras usadas como remédio sinalizam declínio ecológico

Desaparecimento da batata litorânea em Gorontalo indica declínio ecológico da costa, com erosão acentuada e risco a comunidades locais

This plant is classified as a halophyte, or capable of surviving in high-salinity environments.
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  • Em Gorontalo, no norte de Sulawesi, Indonésia, moradores associam o desaparecimento da planta batata (Ipomoea pes-caprae), comum em praias, ao declínio ecológico da costa local.
  • O uso tradicional da batata como remédio continua entre pescadores, que aplicam o líquido da folha jovem na pele para aliviar picadas e ferimentos.
  • A batata é uma planta pioneira que ajuda a estabilizar dunas, prendendo a areia e fortalecendo a linha costeira diante de erosão e aumento do nível do mar.
  • Estudos mostram que a erosão costeira já causa perda de áreas consideráveis de território globalmente, com impacto em comunidades costeiras em países em desenvolvimento.
  • Iniciativas de restauração com Ipomoea pes-caprae, como em Maurícia, buscam proteger praias e apoiar ecossistemas costeiros, aliando conservação ambiental e participação comunitária.

Gusnar Ismail, morador de Sumalata, no norte da ilha de Sulawesi, Indonésia, usa há anos a trepadeira batata para tratar ferimentos na pele após mergulhos. Em conversas feitas em 14 de março, ele descreveu como a planta é usada para aliviar picadas e feridas.

A batata, também conhecida como morning glory da praia ou bayhops, é uma videira de rápido crescimento que cobre dunas e flores roxas, comum em regiões tropicais. Comunidades costeiras ao redor do mundo recorrem a ela para tratamento de doenças comuns.

Estudos científicos já apontaram aplicações da batata em diferentes regiões, destacando propriedades antimicrobianas e anti-inflamatórias. Pesquisas de 2022 mostraram um leque de usos da planta em áreas tropicais e subtropicais.

Contexto local e impactos ecológicos

Gusnar relata o desaparecimento gradual da batata na costa norte de Sulawesi, coincidindo com pressões de atividades humanas e mudanças climáticas. A região enfrenta erosão costeira e avanços do mar, afetando habitações e caminhos ribeirinhos.

Além de uso medicinal, a batata atua como espécie pioneira que ajuda a estabilizar faixas de areia, prendendo sedimentos e protegendo margens contra a ressurgência de ondas. Em Gorontalo, esses atributos ganham relevância diante da intensificação de risco de erosão.

A amplitude de problemas costeiros é global. Estudos sugerem que a erosão já eliminou cerca de 28 mil quilômetros quadrados de terra desde 2018, e previsão de mudanças no relevo costeiro para o século XXI indica impactos maiores com o aumento do nível do mar.

Em nível mundial, a população costeira cresceu de 1,6 bilhão para 2,5 bilhões de pessoas nas últimas três décadas, com grande parte vivendo em países de renda baixa e média, como a Indonésia. A depender do equilíbrio ecológico, a batata pode perder função de proteção de margens.

Perspectivas científicas e iniciativas

Pesquisadores apoiam o reconhecimento de práticas tradicionais dentro de um marco de evidência científica mais sólido. Em Nova Déli, a OMS promoveu, em dezembro, a segunda Cúpula Global sobre Medicina tradicional, Complementar e Integrativa, visando regulamentação e governança sustentável.

Estudos da Indonésia, em Aceh, mostraram propriedades antimicrobianas da batata em laboratório, abrindo caminho para potenciais aplicações terapêuticas futuras. Pesquisas destacam componentes bioativos presentes na planta que justificam as atividades biológicas observadas.

Projetos de restauração costeira em outras regiões também valorizam a batata como parte de ecossistemas resilientes. Em Maurício, o projeto Liane Batatran plantou 19 mil mudas da Ipomoea pes-caprae para reduzir erosão, com taxa de sobrevivência de 81% e estimativa de retenção de 826 toneladas de areia.

Gusnar reforça que, para comunidades como Sumalata, a batata não é apenas um recurso de saúde local, mas também um indicador de saúde da linha de costa. Enquanto a paisagem muda, a planta segue sendo vista como guardiã do litoral.

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