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Wit, unker, git: pronomes medievais perdidos da intimidade inglesa

Pronome dual 'wit' — 'nós dois' — desaparece há séculos, evidenciando mudanças profundas no inglês diante invasões e transformações sociais

Getty Images Medieval illustration of two people holding spears but sharing a shield (Credit: Getty Images)
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  • O inglês antigo possuía pronomes duais para duas pessoas, como wit (nós dois), uncer/unker (nos dois) e git (vocês dois); esse conjunto desapareceu por volta do século XIII.
  • O uso dual era comum na poesia e em contextos de intimidade, exemplificado em textos como Wulf and Eadwacer e Beowulf, onde expressões como “o canto de nós dois” aparecem.
  • A extinção do dual ocorreu junto com mudanças históricas, incluindo a conquista normanda e a consolidação do you para singular e plural; “they” veio do nórdico antigo para substituir “hie”.
  • O pronome singular “they” surgiu ainda no século XIV, oferecendo uma forma neutra quando não se quer identificar o gênero do interlocutor.
  • Hoje, o inglês usa principalmente “we” para dois ou mais; há variações dialetais como “ye” e “youse” em algumas regiões, mas não há indicação de retorno seguro dos pronomes duais.

Wit, unker e git foram pronomes pessoais do inglês antigo usados para dois. Em pleno século 12, a forma dual revelava visão de proximidade entre dois abrazos, dois parceiros ou dois aliados. Hoje, esses termos estão completamente extintos.

A história dos pronomes acompanha grandes mudanças sociais e políticas. Invasões vikings e a chegada normanda moldaram o inglês, levando à simplificação do idioma e ao desaparecimento de formas dualistas. O resultado foi a predominância de formas plurais como we.

Segundo o estudioso Tom Birkett, professor de inglês antigo e nórdico na University College Cork, muitos pronomes resistiram por mais de mil anos, quase intactos. Já o dual foi perdendo espaço ao longo do tempo.

O poema Wulf and Eadwacer ilustra o uso íntimo do duplo, com a ideia de dois juntos contra o mundo. Na versão antiga, o senso de união é realçado pela expressão que designa o nosso canto apenas para duas pessoas.

Nos Beowulf, o dual aparece em cenas de parceria entre dois guerreiros que lutam lado a lado, defendendo o que é compartilhado, mesmo diante de ameaças. A obra, de origem anglo-saxônica, é um marco na literatura em língua vernácula.

Com o avanço do inglês médio após a conquista normanda, o dual some do repertório. Birkett aponta que, entre textos tardios, há poucas ocorrências, sempre ligadas a contextos poéticos ou históricos específicos.

A palavra she surge como fusão de pronomes femininos antigos, comoheo e seo, conforme análise do especialista. O inglês moderno preserva he, it, we, us, our, me e mine, mantendo traços estáveis frente a mudanças históricas.

A evolução de they começa com influência do nórdico, que trouxe uma forma distinta de apontar plural. A palavra substituiu hie em muitos casos, ganhando uso também no singular em contextos neutros de gênero.

Com o tempo, thou, thee e thine foram substituídos por you, consolidando uma forma única para tratamento singular e plural. A mudança teve como pano de fundo o contato entre inglês e francês durante o período medieval.

Ainda hoje, dialetos regionais conservam formas diferentes de você, como ye em Munster e youse em Glasgow. Em usos cotidianos, expressões como you all e you guys ajudam a evitar ambiguidade de número.

Especialistas destacam que pronomes tendem a permanecer estáveis, por serem a base da comunicação. Comparados a substantivos e verbos, mantêm traços de inglês antigo, mesmo após séculos de transformação.

Sobre um possível retorno do dual, as perspectivas não são favoráveis. Historicamente, após o abandono, não houve reedição significativa de formas dualistas. No entanto, o vocabulário pronominal continua a evoluir conforme usos sociais e tecnológicos.

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