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Chimpanzés de Uganda enfrentam violenta ‘guerra civil’, dizem pesquisadores

Ngogo, maior grupo de chimpanzés selvagens, se dividiu em duas facções em 2018, gerando 24 ataques e ao menos 17 bebês mortos no Parque Nacional de Kibale, Uganda

This shows adult male chimpanzees of one group attacking a male chimpanzee of another group in 2019
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  • O maior grupo conhecido de chimpanzés selvagens, em Ngogo, no parque nacional de Kibale, Uganda, entrou em uma violenta “guerra civil” após 2018.
  • Desde 2018, foram registrados 24 ataques entre os subgrupos, com 17 filhotes mortos entre as vítimas.
  • O estudo, publicado na Science, sugere que a intensidade do conflito pode iluminar a origem de conflitos humanos.
  • Três gatilhos potenciais foram identificados: mortes em 2014 de cinco adultos e uma fêmea; mudança no macho alfa em 2015; e uma epidemia respiratória em 2017 que matou 25 chimpanzés.
  • Os autores afirmam que, se chimpanzés podem se dividir e lutar sem religião, etnia ou política, as dinâmicas relacionais podem ter papel causal importante no conflito humano.

Um grupo de chimpanzés selvagens na reserva de Kibale, em Uganda, passou a viver em conflito intenso há cerca de oito anos. O maior conjunto conhecido de chimpanzés do mundo se fragmentou e está engajado em confrontos entre subgrupos desde 2018, resultando em várias mortes.

A pesquisa, publicada na revista Science, aponta que 24 ataques foram registrados até agora, com 17 bebês mortos entre as vítimas listadas. Os cientistas observam que a violência é desproporcionalmente alta entre os grupos ocidentais e centrais, que antes formavam uma comunidade coesa.

Os estudiosos identificam mudanças no comportamento dos animais a partir de 2015, quando o grupo ocidental começou a ser atacado pelo grupo central. A partir daí, as interações ficaram mais intensas e menos frequentes, marcando a polarização entre as duas façanhas.

Fatores e explicações

A equipe atribui a três prováveis catalisadores os momentos de maior ruptura: a morte de cinco machos e uma fêmea em 2014, mudanças no macho alfa em 2015 e uma epidemia respiratória em 2017 que matou 25 chimpanzés, incluindo indivíduos-chave para manter as interações entre os subgrupos.

Segundo os pesquisadores, a separação entre ocidentais e centrais tornou-se marcada em 2018, com ataques direcionados principalmente contra chimpanzés centrais. A violência é interpretada como parte da competição por recursos e reprodução, influenciada por mudanças na hierarquia social.

Os autores destacam que, apesar de serem parentes próximos dos humanos, os chimpanzés demonstraram que grupos distintos podem se tornar rivais mortais sem estruturas humanas de religião, etnia ou política. A análise busca oferecer novas perspectivas sobre a dinâmica de conflitos humanos e ancestrais.

Pesquisadores de outras instituições destacam a importância de usos da observação de grupos animais para entender padrões de cooperação, competição e coesão social ao longo da evolução. O estudo reforça a necessidade de scrutinizar dinâmicas de grupo como componente de conflitos.

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