- Estudo genético revisita amostras de 1978 do Sudário de Turim, publicado no BioRxiv e ainda sem revisão por pares.
- DNA humano mostra 55,6% de origens do Oriente Próximo, 38,7% de ascendência indiana e menos de 6% de europeus.
- Autores sugerem que o linho pode ter sido produzido na Índia, com o tecido circulando pelo Oriente Médio e chegando à Europa.
- Além do DNA humano, foram detectados genomas de várias espécies animais e plantas, além de microrganismos e vestígios de coral vermelho.
- Especialistas alertam sobre contaminação ao longo dos séculos e questionam interpretação, mantendo cautela sobre a origem medieval europeia como hipótese principal.
O Sudário de Turim, objeto de debate secular, pode ter origem indiana, segundo uma nova análise de DNA das fibras do tecido. O estudo revisita amostras coletadas em 1978 e usa técnicas genômicas para mapear o material genético presente no linho e em posibles contaminantes.
A pesquisa, conduzida pela equipe do geneticista Gianni Barcaccia, da Universidade de Pádua, é publicada em um servidor de pré-prints, ainda sem avaliação por pares. Os autores defendem cautela diante de contaminações históricas do objeto.
O Sudário está guardado na Catedral de São João Batista, em Turim. O pano mede 4,4 m por 1,1 m e mostra manchas associadas à crucificação e uma imagem tênue de um homem visto de frente e de costas.
Origem indiana?
Análises de DNA humano indicam predominância de sequências ligadas a populações do Oriente Próximo (55,6%) e, em seguida, ascendência indiana (38,7%). Menos de 6% correspondem a europeus.
Essa distribuição sugere, segundo os autores, que o linho possa ter sido produzido no subcontinente indiano, conhecido por tradições têxteis antigas. Redes comerciais antigas facilitavam a circulação de tecidos entre a Ásia e o Mediterrâneo.
Os pesquisadores destacam ainda que o estudo encontrou DNA de várias espécies animais, plantas e microrganismos, além de vestígios de coral vermelho. A presença de plantas europeias e mediterrâneas, porém, é compatível com contatos posteriores.
Especialistas destacam cautela. Contaminações acumuladas ao longo dos séculos dificultam a interpretação. Alguns contestam a hipótese de origem indiana, mantendo a visão de origem medieval francesa.
Outros apontam que várias plantas detectadas podem ter chegado ao continente após o século 16, o que complica atribuições temporais. O debate segue aberto, com o estudo acrescentando pistas e dúvidas.
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