- Um grupo de chimpanzés no Parque Nacional de Kibale, em Uganda, conhecido como Ngogo, se dividiu em duas facções rivais entre 2015 e 2018, rompendo cooperação e território.
- Entre 2018 e 2024, ocorreram ataques entre os dois lados, com mortes de machos adultos e filhotes, e vários chimpanzés sumiram sem deixar corpos. A média foi de um macho adulto e dois filhotes mortos por ano.
- A ruptura ocorreu em meio a mudanças na hierarquia e a eventos na década de 2010, incluindo a morte de cinco machos adultos e uma fêmea em 2014, a ascensão de um novo macho alfa em 2015 e uma epidemia respiratória em 2017 que matou cerca de vinte e cinco chimpanzés.
- Em 2021 houve infanticídio, com invasões do território rival, captura e morte de filhotes; conflitos seguiram registrados em 2025 e 2026.
- O estudo, publicado na Science, sugere que a violência pode emergir de mudanças nas relações e alianças dentro de um único grupo, sem exigir diferenças culturais ou ideológicas entre grupos.
Em Kibale, Uganda, um grande grupo de chimpanzés selvagens se estruturou em duas facções rivais, marcando uma divisão interna rara. O conflito envolve a comunidade Ngogo, que já contou com cerca de 200 indivíduos.
O fenômeno gerou uma série de ataques mortais entre antigos aliados, com violência que se estendeu por anos. O caso foi descrito em um estudo publicado na revista Science, que analisa a ruptura dentro do grupo e seus desdobramentos.
Pesquisa de longo prazo acompanhou o grupo desde os anos 1990, quando ele era uma das maiores comunidades registradas. A convivência apresentava cooperação em alimentação, higiene e patrulha do território.
Contexto da comunidade
Entre 1998 e 2014, alguns chimpanzés passaram a formar alianças estáveis, especialmente entre machos adultos. A partir de 2015, a divisão ganhou consistência, levando a uma separação de territórios e de parceiros reprodutivos.
Em 2018, a ruptura já tinha se consolidado, com dois blocos que viviam e se reproduziam separadamente. Quando ocorriam patrulhas nas fronteiras, ataques organizados se tornavam comuns entre os grupos.
Possíveis causas da fragmentação
Conflitos entre grupos são comuns na natureza, mas a violência interna a um único grupo é excepcional. Estudos sugerem que mudanças no tamanho do grupo e eventos na década de 2010 podem ter desestabilizado alianças.
Entre 2014 e 2015, mortes de machos adultos e de uma fêmea, possivelmente por doenças, afetaram a hierarquia. Em 2015, um novo macho alfa assumiu, seguido por uma epidemia respiratória que pode ter atingido cerca de 25 chimpanzés.
A partir de 2018, ataques entre as facções passaram a incluir infanticídio, com invasões do território rival e morte de filhotes. Entre 2018 e 2024, a média indicada é de um macho adulto e dois filhotes mortos por ano.
Perspectivas e significado
Segundo os autores, o episódio oferece pistas sobre origens da violência coletiva em sociedades complexas. Chimpanzés são próximos dos humanos no genoma, e o estudo espera contribuir para entender como mudanças em alianças podem desencadear conflitos.
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