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Insetos desaparecem, afetando ecossistemas e nossa vida cotidiana

Queda de mais de 75% no total de insetos em menos de trinta anos pode comprometer a produção global de alimentos e gerar prejuízos bilionários

Insetos, como as abelhas, são responsáveis pela polinização e podem gerar bilhões em prejuízos se forem extintos. (Foto: Christel SAGNIEZ / Pixabay)
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  • A quantidade de insetos no mundo vem caindo, com queda superior a setenta e cinco por cento na Europa e nos Estados Unidos em quase três décadas, o que pode afetar a produção de alimentos e a economia global.
  • Estudo no Reino Unido aponta redução de até sessenta e dois vírgula cinco por cento entre 2021 e 2024; pesquisas na Alemanha mostram queda superior a setenta e cinco por cento em quase trinta anos.
  • Insetos são fundamentais para decomposição, fertilidade do solo e servem de alimento para muitos animais; cerca de sessenta por cento das espécies dependem deles como fonte de alimento.
  • A polinização por insetos sustenta parte relevante da dieta humana nos EUA, responsável por até trinta por cento da alimentação; abelhas nativas podem aumentar o peso de tomates em quase duzentos por cento.
  • Causas apontadas incluem sementes tratadas quimicamente para resistir a pragas; regulamentação europeia de neonicotinoides desde dois mil e dezoito mostrou sinais de recuperação; nos Estados Unidos, decreto de dois mil e vinte e seis busca assegurar o uso de glifosato para a agricultura.

A queda de insetos no mundo avança ano após ano, e já soma perdas superiores a 75% na Europa e nos EUA em pouco mais de três décadas. O alerta chega de pesquisas de várias equipes que acompanham o tema há anos. A tendência pode afetar a produção global de alimentos e causar impactos econômicos expressivos.

Em estudos no Reino Unido, pesquisadores analisaram vestígios de insetos deixados em placas e em veículos, chegando a uma redução de até 62,5% entre 2021 e 2024. O levantamento é conduzido pelo Kent Wildlife Trust sob a coordenação do Dr. Lawrence Ball.

A atuação de armadilhas em reservas naturais da Alemanha, conduzidas pela Radboud University e pela Sociedade Entomológica Alemã Krefeld, aponta queda de mais de 75% no peso total de insetos voadores, com quedas de até 82% no verão. Esses dados reforçam a magnitude do declínio.

Importância ecológica

Os insetos cumprem papel essencial na decomposição, fertilidade dos solos e servem de alimento para aves e outros animais. Estima-se que cerca de 60% dessas espécies dependam dos insetos como fonte primária de alimento.

Impacto na alimentação humana

O declínio pode afetar a produção de alimentos. Nos EUA, até 30% da dieta humana depende da polinização realizada por insetos. Além disso, insetos contribuem com cerca de US$ 3,07 bilhões na produção de frutas e vegetais. Em plantas como o tomate, a visita de abelhas nativas pode aumentar o peso do fruto consideravelmente.

Causas e respostas regulatórias

A disseminação de sementes com coberturas químicas para reduzir pragas é apontada como contribuição ao declínio, pois esses compostos também afastam insetos benéficos. Em lavouras, a ausência de polinizadores pode elevar danos e custos.

Estudos indicam que a prática de manejo impacta até pragas naturais responsáveis pelo controle de 33% das lavouras. A legislação ambiental tem influências distintas por região: a União Europeia proibiu em 2018 três neonicotinoides usados no tratamento de sementes, com sinais de recuperação em cerca de quatro anos.

Nos Estados Unidos, o tema segue outra linha. Em fevereiro de 2026, foi assinado decreto que visa ampliar a produção e assegurar o acesso ao glifosato, considerado estratégico por defensores da agricultura nacional.

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