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Pensamos errado sobre dor crônica: veja o que realmente ajuda

Dores crônicas vão além do tecido: o cérebro e fatores emocionais e sociais moldam a dor; técnicas sem custo podem reduzir o sofrimento

Pain scientist Dr Rachel Zoffness says we think pain is something that just ‘lives in our tissues’ – but that’s a ‘myth’
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  • A dor crônica afeta aproximadamente um em cada três pessoas no mundo e pode oscilar ao longo do dia, aumentando quando há estresse ou distração.
  • A dor não está apenas no tecido machucado; o cérebro a regula, integrando dados do corpo, emoções, saúde social e ambiente.
  • O conceito de “receita de muita dor” reúne fatores biológicos, psicológicos e sociais; mudanças nesses aspectos podem reduzir o desconforto.
  • Para reduzir a dor, é indicado identificar ativos que pioram o quadro e promover melhorias em sono, alimentação, movimento, saúde emocional e vínculos sociais.
  • Não existe cura rápida nem pílula mágica; tratamentos farmacológicos e cirúrgicos têm papel, mas não devem ser a única solução para a dor crônica, que pode exigir mudanças graduais e personalizadas.

A pesquisadora de dor Drª Rachel Zoffness afirma que a dor crônica é mal compreendida e mal tratada, e apresenta métodos sem custo para reduzi-la. Ela lançou um livro que reúne evidências de 35 anos de estudo na área.

Segundo a especialista, a dor não está apenas no tecido da parte afetada, mas é amplamente influenciada pelo cérebro. Em consulta, ela explica que fatores emocionais, sociais e ambientais modulam a percepção da dor, não apenas o dano físico.

A obra propõe identificar a chamada “receita de dor alta”, ou seja, os elementos que pioram o desconforto. Entre eles estão sono inadequado, estresse, alimentação, sedentarismo e isolamento, que podem ser ajustados para reduzir a dor.

Análise de padrões mostra que várias condições associadas à dor nas costas, discopatia ou coluna torta nem sempre correspondem a dor relatada. Esses dados reforçam a necessidade de considerar o bem-estar emocional e social no tratamento.

A autora ressalta que a dor é um fenômeno biopsicossocial, no qual o cérebro desempenha papel central. Além de fatores biológicos, a psicologia e o contexto social influenciam a experiência dolorosa e seu manejo.

Para reduzir o desconforto, Zoffness sugere estratégias simples e acessíveis, como melhorar a qualidade do sono, praticar exercícios regulares, aumentar a exposição ao ambiente exterior e manter uma alimentação mais rica em vegetais.

No cuidado com lesões, a especialista compara a recuperação com o treinamento esportivo: progressão gradual e planejamento de atividades, respeitando a capacidade do corpo e com pausas para recuperação.

Ela diferencia dor aguda, de até três meses, da dor crônica, que envolve o sistema nervoso central. Em casos crônicos, pequenas sensações podem ser amplificadas pelo cérebro, fenômeno conhecido como sensibilização central.

O papel de medicamentos e cirurgias não deve ser o único caminho. Em dores crônicas, fármacos e procedimentos podem integrar o tratamento, mas não devem ser a única intervenção oferecida.

Apesar da ausência de uma solução mágica, a pesquisadora aponta que há vias eficazes para reduzir a dor. A abordagem envolve ajustes no estilo de vida, atenção ao bem-estar emocional e mudanças comportamentais prolongadas.

O que é a dor crônica

A dor crônica resulta de uma interação entre biologia, psicologia e fatores sociais. O corpo pode apresentar sinais, porém a dor nem sempre está diretamente ligada ao dano tecidual, exigindo atenção ao funcionamento neural.

Fatores que influenciam a dor

Além do dano físico, aspectos como sono, alimentação, movimento, saúde emocional e rede de apoio social moldam a experiência dolorosa. A melhoria nesses itens pode diminuir o desconforto.

Como agir no dia a dia

Identificar o que piora a dor e adotar hábitos saudáveis de sono, atividade física regular e socialização são passos práticos. Pequenas mudanças podem gerar impactos significativos ao longo do tempo.

Recuperação e planejamento

Para quem busca recuperar a capacidade de realizar atividades, a recomendação é progredir de forma gradual, com metas compatíveis ao avanço pessoal, evitando retornos abruptos.

Dor aguda vs. dor crônica

Dor aguda serve para sinalizar dano imediato e requer avaliação clínica; dor crônica é uma alteração no processamento neural e requer abordagens diferentes, incluindo foco na neuroplasticidade.

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