- O congelamento de óvulos ganha popularidade entre mulheres que querem adiar a maternidade, combinando avanços científicos, custos e dilemas éticos e legais.
- Em 2025, foram congelados 604.223 óvulos no Brasil, dos quais cerca de 147 mil eram dedicados à preservação da fertilidade; foram realizados 62 mil ciclos de coleta.
- A fertilização in vitro continua sendo uma opção central para quem tem dificuldades de engravidar; a técnica pode usar óvulos descongelados, com dependência de parcerias ou doadores de sêmen.
- O mercado de reprodução assistida movimentou, em 2023, cerca de R$ 1,3 bilhão no Brasil; muitos procedimentos não são cobertos por planos de saúde.
- Existem grandes dilemas: custos, gestão de embriões congelados, questões legais e a falta de legislação específica, além de debates sobre o que fazer com embriões em casos de divórcio, morte ou inadimplência.
Desde 2012, o congelamento de óvulos deixou de ser experimental para se tornar uma opção comum de preservação da fertilidade no Brasil. O objetivo é ampliar o tempo entre planos de maternidade e uso de técnicas de reprodução assistida, mantendo a qualidade dos óvulos.
Em 2023, o mercado brasileiro de reprodução assistida movimentou cerca de R$ 1,3 bilhão. Hoje, clinics relatam que entre 30% e 40% das pacientes são jovens que buscam preservar fertilidade, muitas vezes sem ter certeza de quando desejam, ou se terão filhos.
O procedimento envolve maturação, retirada e congelamento de múltiplos óvulos, que ficam armazenados em nitrogênio líquido por décadas. Ao desejar, os óvulos podem ser descongelados e fertilizados via fertilização in vitro. A prática é regulamentada pela Anvisa, com base em normas do CFM.
Aspectos técnicos
Entre 2025, foram congelados 604.223 óvulos no Brasil, parte de ciclos realizados por 62 mil coletas. A média de óvulos por ciclo varia com a idade: jovens obtêm mais, enquanto mulheres acima de 35 registram menor rendimento. Técnicas de vitrificação aumentaram as taxas de sucesso.
A FIV pode usar gametas do paciente ou de doadores. O sêmen passa por avaliação de contagem, forma e motilidade, e pode ser lavado para remover vírus. Em seguida, ocorre a fecundação e o desenvolvimento de embriões, que podem ser implantados ou armazenados.
O armazenamento envolve estruturas com controles rígidos. Em alguns casos, clínicas mantêm grandes estoques de embriões, óvulos e sêmen, gerando custos fixos e exigindo gestão administrativa cuidadosa para evitar erros de rotulagem.
Padrões, custos e dilemas
O custo de uma tentativa de FIV fica em torno de R$ 30 mil, com adicionais para exames, repetição de ciclos e uso de gametas doados. Planos de saúde costumam não cobrir todas as etapas, o que eleva o gasto para quem busca realizar o procedimento.
No Brasil, existem 10 instituições públicas que oferecem FIV via SUS, embora a fila de espera possa ser longa e, em alguns casos, exigir despesas com medicamentos, estimadas em cerca de R$ 5 mil. A doutrina sobre o destino de embriões ainda não está consolidada legalmente, gerando debates éticos e legais.
Entre 2020 e 2025, o Brasil congelou 689 mil embriões, com estimativas que apontam caminhos diferentes para descarte, doação para pesquisa ou uso futuro. Doação para a ciência é restrita a embriões inviáveis ou congelados há mais de três anos, sob regras específicas de biossegurança.
Em casos de divórcio ou falecimento, a administração de embriões envolve decisões complexas. Questões de direito, ética e cultura moldam as alternativas, que vão desde descarte até doação para familiares ou para pesquisa, conforme regras vigentes e interpretações judiciais.
A imprensa consultou especialistas que ressaltam a ausência de legislação abrangente para a reprodução assistida no país. A discussão envolve impactos sociais, morais, econômicos e tecnológicos, sem um consenso definitivo entre profissionais.
Fontes citadas incluem a Sociedade Brasileira de Reprodução Humana e estudos sobre previsibilidade de nascimento em oócitos criopreservados. A matéria também reúne relatos de pacientes, embriologistas e representantes de clínicas, que ajudam a entender o cenário atual sem adotar julgamentos.
Entre na conversa da comunidade