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Maior estudo sobre enjoo em grávidas encontra resposta

Estudo genético internacional associa GDF15 à hiperêmese gravídica, revelando base biológica e sensibilidade genética no enjoo extremo da gravidez

Embora bastante comuns, os motivos que levam as gestantes a sofrer com enjoos matinais não eram completamente compreendidos; o novo estudo sugere algumas hipóteses para isso — Foto: Freepik
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  • Estudo genético internacional com 10.974 gestantes com hiperêmese gravídica e 461.461 controles identifica bases biológicas da condição, publicado na Nature Genetics.
  • Além do gene GDF15, foram associados nove genes adicionais, incluindo FSHB, TCF7L2, SLITRK1, SYN3, IGSF11 e CDH9, ampliando o entendimento sobre metabolismo, apetite, desenvolvimento placentário e desfechos gestacionais.
  • A gravidade dos enjoos está ligada à sensibilidade genética ao GDF15; mutações que reduzem o hormônio antes da gravidez podem intensificar a resposta durante a gestação.
  • A hipótese aponta que a hiperêmese envolve aprendizado cerebral e o eixo intestino-cérebro, sugerindo que o cérebro pode associar certos alimentos a náusea, além de fatores hormonais.
  • No tratamento, o ondansetrona tem eficácia parcial; estudos exploram a metformina antes da gravidez para aumentar o GDF15 e reduzir a sensibilidade, com potencial para abordagens personalizadas.

Os enjoos na gravidez passam a ser vistos sob uma nova perspectiva após um amplo estudo genético internacional. Pesquisadores liderados pela Universidade do Sul da Califórnia identificaram fatores biológicos que explicam náuseas intensas e, em alguns casos, hiperêmese gravídica (HG). A pesquisa foi publicada na Nature Genetics.

O estudo analisou dados de 10.974 mulheres com HG e 461.461 pessoas no grupo de controle, com participantes de diversas origens. Os resultados apontam que a gravidade dos sintomas está ligada a fatores genéticos e à resposta do organismo a hormônios elevados durante a gestação.

GDF15, o principal fator

O gene GDF15 surge como protagonista, pois codifica um hormônio que aumenta significativamente durante a gravidez. A gravidade das náuseas depende da sensibilidade genética ao GDF15; mutações que reduzem o hormônio antes da gestação elevam a chance de respostas mais fortes durante o parto.

Além de GDF15, foram identificados outros nove genes associados à HG, sendo seis descritos pela primeira vez nesse contexto. Os quatro genes já conhecidos — GDF15, GFRAL, IGFBP7 e PGR — relacionam-se ao desenvolvimento placentário e à sinalização hormonal.

Vias biológicas envolvidas

Entre os novos genes, TCF7L2 associa-se ao metabolismo e ao controle glicêmico, potencialmente influenciando o hormônio GLP-1. Outros genes apontam para vias que regulam o apetite, a plasticidade cerebral e respostas neurais a sabores e cheiros. Variantes também se ligam a desfechos gestacionais, como pré-eclâmpsia.

O papel do cérebro

A hipótese recebida é que HG envolve aprendizado cerebral: o cérebro pode associar determinados alimentos ou contextos à náusea, reforçando aversões. Essa visão sugere que enjoo gestacional resulta da interação entre hormônios, intestino, cérebro e sinais metabólicos.

Implicações clínicas

Apesar da gravidade da HG, tratamentos permanecem limitados. Ondansetrona funciona de forma restrita, beneficiando cerca de metade das pacientes. A descoberta de alvos genéticos abre caminho para abordagens mais personalizadas e, em estudo, o uso da metformina antes da gravidez visa aumentar GDF15 previamente.

A descoberta amplia a compreensão da HG e pode reduzir o estigma associado aos enjoo severo. Os pesquisadores destacam que o conjunto de genes identificado oferece novas vias para diagnóstico, prevenção e intervenção clínica, com impacto na saúde materna e fetal.

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